quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Histórias de pedrinhas ou nada










Há quem faz histórias com uma pedrinha, quem com a mesma pedrinha faz é só mortais feridas, desistoriando futuros. Há, aliás, quem grave sobre as pedrinhas doutros linhas tortas que mal dissimulam as pautas do caderno. Consequentemente... trouxe para aqui a minha pedra na desesperança de que desse alguma coisa.

Não deu.

Às vezes a tal de pedrinha é uma frase, frase minha ou doutrem, não interessa. A frase é como a pedrinha com que se tropeça. A gente fica a olhar (isto é metáfora ou não) para ela e hesita, abana a cabeça em debruçada contemplação ou chuta forte nela de pé arrebitado (arrebatado?). O quê é que eu faço contigo, ó pedrinha-frase que vieste ao meu encontro? Pego em ti e guardo-te na algibeira? Prolongo-te em trajectória elíptica sobre o mundo de areia e mar à minha fronte e vê tu lá se a sorte ou o azar dispõem que fures para aí, ai, um qualquer outro coração ou fendas uma testa, catacroc-chofff, como melancia madura?

O sol entra agora pela janela do café. Incomoda-me este resplandor de inverno que teima em aquecer as húmidas tumefacções da idade, as pernas como velhas a se fazerem de tontas contra as que ninguém pode nada (frase, fora o género, roubada um dia destes revelo onde-de quem). Na praia o mundo deteve-se porque não é possível eliminar o espaço vazio que sobrou entre o fim da ecografia no hospital e a consulta no centro de saúde... meia hora de calma azul e rumor de ondas.










Ah, a pedrinha veio comigo para casa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sensación térmica

Non sei se alguén o notou. Aí fóra vai unha friaxe que conxela as neuronas, peneirada por unha brétema translúcida que o sol aínda non deu fundido. Medraron os días, tamén iso se nota, pero non as horas. E é que anda a intemperie vestida de ilusión óptica. É inverno. Cada vez é máis inverno.

Unha estratexia humana

Onte fun á do Clinisvu. A min este sempre me deixa vacilante entre o gusto e o desgusto. Sabe tocar nas teclas do sentimento, pero ao final amólame cunha oración. E non só. Porque o das bandeiras, deus e patria (por xunto ou por separado) como pouco atravésaseme sempre e como algo máis, méteme un medo pánico terrorífico, por nobres que sexan os feitos-feitos relatados, que talvez aquí, creo firmemente, sexan. Velaí as razóns miñas do abaneo mental. De garda baixa, vibro co clamor coral do estadio, as pinturas de guerra nos rostros, o poema épico e o perdón aos inimigos. E, claro, a nada que recupero a consciencia, éntrame un sarabullo de me arrincar a pel a cachos, tanto rañar nela, na pel. Pero logo o Morgan-Madiba é un actorazo e se as guerras se resolvesen sobre un campo verde sen mais armas ca un balón, redondo ou ovalado, até era sublime. Aquí é.

De maneira que...

Voulle pór só unha tacha: sobráronme minutos de partido, que total xa se sabía o resultado.

Ou dúas:

A oración do final. Pero sendo de quen era estaba de ser.

___________
P.S.: Para a próxima levo cacahuetes.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Aqui é no ar










Eu até gosto do gajo e o até talvez até vá sobejando. Nem era preciso dizer mais nada, estava a crítica feita e ia ler um par de poemas para a cama. Feliz. Tem quem não gosta dele? Tem: será homem, claramente; e hetero, claridades não são para aqui chamadas. Não faz mal. Eu gosto de homens, heterossexuais (de homossexuais também, mas por diferentes razões, ou fins, melhor dizendo). Ponto. E seguido. Ao que interessa. Que fui ver o filme. Era para ir ver outro, o do Morgan Freeman, mas afinal, mudei de horas, mudei de planos, mudei de filme. Quase me desbabo, como ele é bonito! E gostei mesmo do filme, dá para descontrair, e quando já ia enjoando... aquela viragem e aí aquilo de não querias nem sonhos e agora queres sonhos feitos realidade, era melhor não quereres, aprende o que sempre ensinaste. E ele fica como com saco de batata às costas, pesaaado, mas continua, tristérrimo e tudo, bonitinho.

Atenção, na vida real não me queria eu com um boneco-sacana desses nem insuflável. Mas para filme fica bem. Afinal é como admirar uma obra de arte que a gente nunca vai poder levar para a casa, mas que vá ver ao museu, é favor não tocar, for your eyes only. O gajo é bonito de se contemplar.

París, París...

As caras do occidente aos ollos do Costa-Gavras son dúas, as mesmas do sur, do norte, do oriente. É a historia tortuosa da viaxe ao desencanto, ao soño roto, o itinerario habitado de xentes e non-xentes, persoas que dan, persoas que quitan, dos que rouban e dos que regalan, do amor ou do desexo só egoísta. E de como o brillo da felicidade nuns ollos se derrama en lágrimas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O home que se dá de comer aos pombos











[...] posto nas palhinhas o menino jesus era
um nico de gente muito curioso, abrindo os olhos imensos
perante a vastidão de milagres com que deus fizera a
criação. ninguém lhe falava de jerusalém, envergonhados e
sem saber o que dizer. a criança respondia, gugu gaga, e
queria com isso dizer que os adultos eram uns filhos
da mãe sem vergonha, a fazerem guerra com os corações
podres de ódio e que o ódio fora um erro de se inventar

bomba, a palavra que detona. valter hugo mãe


Eu aquí debera agradecer prostrándome aos pés dela porque un día nin sei cando me levou da man dun elo ás Quintas onde lin por vez primeira o nome minúsculo dun tipo que nin é bonito e mesmo así...

O (des)emparellamento na danza maquinal do HURRA!ARRE! como preámbulo ao coro humanísimo de voces que rebentou a arma das palabras; o violín da Ianina Khmelik entremediando versos e levantando aplausos; as imaxes do Nelson D'Aires, só e tanto, contrastes crus de realidades; e no final, o estrondo de bomba, estremecedor de ouvidos algúns, mentres o chan me vibraba aos pés... ou era eu, que estoupaba enteira sen me quebrar en ningúns pedazos.

Bonito é palabra que nin di nada.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Escabichada

Isto logo à noite já o descontamos,
disse a mulher enlutada que me serviu o café
enquanto eu lia, como peixe que demorara ao sol,
um poema do valter hugo mãe ineditamente publicado no JL,
sendo que o isto era a calor branda da invernia azul.
Sorri para ela, antevendo a noite ao longe.


Era sem tempo que eu voltasse por cá, nem que fosse só para anunciar ao mundo inteiro que continuo viva, hoje triplamente perfurada, depois que regeladíssima estendesse em sacrifício os braços, hirtos, às enfermeiras para me tirarem sangue suficiente que enchesse os muitos tubos coloridos ante o meu fascínio infantiloide (só esta infeliz para ir de mota à Cidadeabertaaomar com os campos geados além das bermas a lhe chamar nomes de inconsciente ou pior). Pois, é assim: foram precisas três tentativas com os vários métodos de extracção disponíveis e a paciência escarafunchadora de dois anjos experimentados. E eu, caladinha e dócil, finalmente submetida, de antebraço retorto, a aturar a agulha que bulia nas veias reticentes, a agitar torpemente os dedos, a fazer questão e tanto de expulsar de mim o material que a ciência exigia para me decifrar as razões desta morte demorada.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Contra-elogio (insustentável) do anónimo










Sempre pode vir a haver uma maldade maior.
Ditado anónimo meu


Se cada quem fosse ele ou si próprio em tudo quanto escreve e fala tinha de ser gigante para albergar tanta frase, verso ou impropério. De aí que os cada quem singulares às vezes se multipliquem em pluralíssimos indivíduos que se unem e desunem em concertínica disposição: os nónimos falsos nas pontas e nos vários centros os anónimos e nónimo verdadeiro, que na compressão e distensão constante do fole já nem reconhece a sua palheta. E numa dessas de confusão, por ignorar a mão esquerda o que a direita faz ou a quem obedece, até pode chegar a perder os acentos gráficos. Penso.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

A rodar sorrisos

Voabamos polos corredores do hospital, a xente apartando ao noso paso, pálida eu co sorriso pintado naquela vertixe de velocidade e abandono, a xente a devolverme o sorriso, a nos abrir as portas, a exclamar ai, ai, e a sorrir máis. Sorría a moza altísima morena (desde unha cadeira de rodas todo o mundo parece altísimo altísimo) que aínda había nada encontrara de ollos chorosos á porta da consulta e nos acompañaba para facer tamén unha eco. Na reviravolta, freamos en seco: ihhhhhh, case me vén outro anxo enriba.

—Vinche a sombra! -gritoulle o meu anxo.

O outro, sorprendido, sorriu. Vireime para o meu e díxenlle:

—Se me cae enriba, esmágame.
—Esmágate mesmo, pero eu xa o vira vir, por algo son un anxo.

Aparcoume á porta e pediunos, á moza que xa non tiña húmida a mirada e a min, para agardarmos.

—Ti non te movas de aí, oíches? —advertiume pousándome a man no ombro.

Quedei a agarimar os aros fríos, cromados, con que se xiran as rodas, para adiante e para atrás, en sacudidas breves, coma quen pisa o acelerador, brrm, brrm, ante o semáforo. Que macarrita son!

domingo, 17 de janeiro de 2010

O canto do pisco










Polas mañás mentres tomo o café, escoito na radio as noticias para me informar do que acontece fóra. Hoxe apagueina porque me impedía percibir a voz do que me acontece dentro. A existencia, pódese resumir nunha partida de solitario ás cartas, en que unha xoga contra e a favor de si. Ás veces, na baralla só aparecen cartas baixas e a min, cismática e negrumenta, dáme por concluír que así non hai posibilidade ningunha de gañar. Desasistida de ánimos, desangrada e mortecida, dimítome. Xorde entón a conciencia encarnada na figura dun transmontano bruto a musitarme que mesmo con cartas baixas, sempre hai algunhas máis altas ca outras. E logo e sobre todo, advírtelle xa de alto a esta media galega burra, que están os comodíns, que trastocan as probabilidades boas de poucas a moitas: o da Medicina (chamado tamén sistema sanitario público) e os dos Amigos (así mesmo coñecidos polo nome de abrazos e caldo morno, mesturadamente). Aí detéñense o ruxerruxe morriñento e o tintinar teimoso da chuvia. Os ouvidos abríronse de novo ao exterior.

Nese silencio estaba, cando se me filtrou o canto do meu pisco residente contra o neboeiro que aboia polo eido adiante. O pisco é unha ave-paxaro de corpo latexante pardo, de rostro e peito vermellos e ollos desmesurados de cor negra acibeche, abombados, sensibles. Ao pisco a natureza pídelle que cante nas mañás cincentas de inverno. E canta.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Aulas de mergullo










Xustamente agora que decidira aprender a mergullar, vén esta seca a me transtornar os prognósticos do tempo horario. Sempre andei pola vida a nado, de cabeza fóra, petiscando só, sen nunca probar ao fundo nin cousas nin incousas, bicaflor acorvazado, dos carnazais solitarios case extintos, silueta corcovada e tensa, á espreita sobre o cable teléfonico dunha aldea remota.

Avísovos por ben: non se deben adiar os propósitos de ano novo, cando se está a expensas de que o bicho nos trinque coas gadoupas e nos arranque dunha dentada o ventre e a esperanza. Non se debe nadar nunca coa cabeza fóra, abandonando o corpo ás alimarias acuáticas. Non se debe. Por iso voume empeñar agora en cumprir a decisión que tomara, de palabra dada, non promesa, feito facto.

Por exemplo, esta mañá vestín un xersei colorido de algodón, que quedara esquecido no armario. Ao rescatalo, caín na conta de que o mercara aló polo 2004. Xa é casualidade... Ou non.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O inferno existe

É escuro, case negro, o sangue que me mana do antebrazo pálido, das veas azuladas e secas, de paredes engrosadas, raíces às que o vento e a auga desprotexeron, e queda en depósito, coma o mercurio dos termómetros rotos, nos tubos de laboratorio nos que a enfermeira pega cadanseu código de barras, a miña identidade, o que eu son resumido nun número, longo, e vállanos iso.

No bar fálase de fútbol, bébese café con leite, sol e sombra às veces en copa pequena ou licor café ou unha branca, e mastíganse devagar torradas ou churros mentres o televisor vomita imaxes do horror colectivo que se torna visible durante uns minutos sen alterar apetitos e rutinas. Alá lonxe —nin se sabe moi ben onde, que hai tantos outros lonxes deses— o oitenta por cento da poboación arrástrase por baixo do limiar de pobreza, o sesenta por cento da poboación malvive con setenta céntimos de euro diarios e a morte compite acotío con eles polo territorio, insaciable. E non, non son masas informes desprovistas de terminacións nerviosas, non son seres aos que a miseria e o sufrimento —consolámonos— virou de pedra, xentes que paren fillos de lama. Son un e un e un... individuos que respiran se os deixan. Non os deixamos. E pasamos a outras novas.

Arrío en banda sobre os poemas de Anna Akhmátova*, traducidos a esta lingua de tres ortografías que nos une. As atrocidades que ela viviu hoxe parecen ridículas, case mesquiñas, peso pluma na balanza dos espantos, pero haxa calma, de aquí a uns días volve ocupar o seu lugar de honra na literatura universal, como merece.

Eu, entón, volverei estender os brazos ante a enfermeira para que elixa vea á vontade. Despois entrarei nun bar calquera a almorzar un café cargado con croissant e un libro de poemas. Non me alcanzará xa o fedor dos cadáveres desenterrados e enterrados, nin me desacougarán os ollos húmidos dos que a paso lento cada día, ás vinte e catro horas, sen sosego, sucumben alén destes soberbios muros nosos.

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* Anna Akhmátova. Só o silencio me responde. Tradución de Ekaterina Guerbek e Penélope Pedreira. Rinoceronte Editora, 2007.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Não venha a mim, que eu sou bestinha...

Eu sei. Pude ser amável, não custa nada, certo? Nadíssima mesmo. Aliás, acho que a gente tem de ser amável com os outros. O mundo já é bravo que se farte. Não era difícil eu dizer, oi, bem-vinda aqui ao meu cantinho, bem-haja, volte sempre que quiser, eu vou lá então ao seu fazer uma visitinha, e mandar beijinhos castrados como se não houvesse amanhã nem futuro nenhum à minha espera, que nem sei se há, isso é verdade. Não custava e até podia ser sincera se nesse momento sentisse em mim um arrebato de indulgência em comunhão de bondade e asinhas plumárias a despontar nas costas, nem que fossem de galinha. Não senti. E depois irritei-me ao ler o perfil. Quer-se dizer, irritou-me o que ela escreveu e considerou virtudes dignas de partilhar com os outros, entre eles eu, que fui lá, com o propósito de lhe perdoar mesmo o acomentário e ser amável. Não pude. Enjoei. E ainda li um texto, por se o anterior fosse piada e eu perdera o sentido do humor. Talvez perdi, mas o que perdi mesmo foi o meu tempo.

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Addenda et corrigenda: O meu é sempre exagero. Não perdi nada, tudo se transforma, nem que seja em palavras, as anteditas. Look at the bright side, yes, até em dias cinzentos. Linda menina!

De portas fechadas













Como teño os ollos medios apegados e chove tanto, que debeu ser o valter mesmo a fundir a neve, tento convencerme de que aínda estou a durmir e por iso, coma nun pesadelo interminable, nin petando abren algúns dos blogues que visito, aqueles cuxo camiño os dedos coñecían de cor. Desta vez, teño certeza, non podo culpar o bf-fb. A ver se esperto, entón.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Angustias parvas










Este mes o calendario está inzado de círculos vermellos. O próximo tamén. E o outro. Ires e vires (e vires, si, espero, espero!) do hospital para me someter a apalpamentos manuais ou mecánicos, a observacións meticulosas, a transparencias radiográficas, a análises de sangue e humores, todo en conxunto destinado a demostrar en parámetros mensurables a miña beleza interior. Nada diso me preocupa. Non me debe preocupar: der o que der, algunha cousa vai dando. Vívese así. Ou mórrese de calquera maneira nun momento ou outro, indefectiblemente, disque. O que me angustia realmente son os días non enmarcados por círculos vermellos, que se van ver afectados comigo no epicentro por un vaga insolente e obscena de traballo que me tensa, despois de meses de case inactividade, pois é ben sabido que os programadores da cousa teñen como misión última neste mundo me amargar a existencia.

Claro que ben visto, así, nin tempo teño para que me doia nada. Respiro, ah...

domingo, 10 de janeiro de 2010

E nevou mesmo!
























Ás miñas costas o persoal bailaba. Eu quedei feita idiota a contemplar a farrapada que caía, faíscas que as lámpadas da rúa iluminaban, mansas e pequeniñas. Pensei, embobada, que o máis parecido que vira a aquilo era a chuvia de cinzas dun incendio forestal, fóra a tristeza e o chamusco angustiado no olfacto. Pedira tanto a ninguén para que nevase... Nevaba virando as superficies brancas incólumes, aínda. Amañeceu o día seguinte, que era o día seguinte ao casamento do Carlos e o Miguel, e fomos espertando o mundo e eu pálidos por causas diversas, o pouco durmir en min, a neve fóra, quince centímetros de espesor sobre o coche, que limpei, os dedos conxelándoseme, maldicindo a hora en que pedira a ninguén que nevase e alguén ouviu, ou foi só que estaba de ser... que nevase e nevou. Entrei nun bar e pedín un café con leite en vaso para quecer as mans. E case tiña que reprimir as bágoas, tanto me doían os dedos e os 767 quilómetros de incertezas. E maldicía a neve, mentres a vía caer fóra, intensa, mesta. E unha noiva, toda vestida de branco, saía á rúa, os clientes do bar contemplándoa, compadecéndose, mal día para casar toda vestida de branco, quen lle mandou casar en xaneiro?, eu lembrándome do Miguel e o Carlos, que casaran no día anterior, en xaneiro, sen vestidos brancos, agasallados polos amigos e a ternura, nunha hora en que xa fora aprobado o casamento (con rebaixas!) entre homosexuais na Assembleia da República Portuguesa. E cando terminei o café con leite, as mans xa sen dor, o estómago tamén quente, pedín un café solemne e austero, só, negro, sobre fondo branco. Na rúa os coches circulaban normalmente, ningún transeúnte escorregaba no xeo. E pensei: é lindo isto, mesmo, lindo. Ollei para os outros: se eles poden, eu podo, non son así tan burra. E puiden. Regresei. Estou aquí xa, dándome as benvidas.

Tombe la neige, tu ne viendras ce soir... por xentileza de Ra.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Nada que perder

Estes dous últimos días teño levado compañía feminina ao cinema. Ela apúntase a un bombardeo a condición de que sexa nocturno e de artificio colorido. A bomba de onte non era pólvora mollada, ardía e queimaba. Por iso, ela, a cada pouco, sobresaltábase na butaca e tapaba o rostro coas mans, entreabrindo os dedos (non o negues, que te vin, na penumbra da sala). E eu dicíalle, acouga, rapariga, que é filme: a realidade é ben peor (eu a dar ánimos non teño prezo), ao cabo, cando descendan os créditos a rodar, marchamos tan panchas para a casa, cama á espera, máis ou menos quente. Ese é meu mecanismo de defensa contra a barbarie: distanciarme, pensar que o líquido de cor vermella que o invade todo, que cheira até, que se apalpa case na súa viscosidade pegañenta, non é sangue-sangue: o sangue-sangue está na rúa, non nunha pantalla; que a voz áspera do Tosar, espléndido, non é a propia del, senón a dun asasino calquera dos que habitan as prisións sen nada que perder, aínda que lles reste un cacho de corazón sen ollos e intelixencia abondo para distinguir os covardes (fantástico o breve duelo dialogado cos presos de luxo, moeda de cambio). E así, vaise soportando a tensión constante, a brutalidade, a desesperanza, a transformación involuntaria do funcionario que salta nun segundo dun bando ao outro, porque a vida é moi puta ás veces e non sempre equilibra, meu amigo, non sempre.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Fetiches

Prívanme as batas brancas. Gardo incluso unha de meu das prácticas de bioloxía, que me fica a matar, aínda que o máis que matei con ela foi en grao de cómplice da miña compañeira de viviseccións, quen, menos escrupulosa, empuñou o bisturí e abriu en canal unha ra para lle mirarmos as tripas e comprobarmos que elas tamén, fóra a alma e a figura, son príncipes —nin que non se soubese xa polos contos sen necesidade de tanto empirismo asasino. Porén, como máis me poñen as batas brancas, sen comparanza, antes que orfas de corpo e solitariamente dependuradas tras unha porta, é cun médico por baixo, co seu fonendo ao pescozo, o frío metálico no peito (meu), auscultante, e o seu rostro próximo, virado lixeiramente de lado; ou logo, as mans cálidas asomando das mangas para apalparen o abdome (meu) e subindo delicadamente a saba ao rematar. Talvez non sexa amor puto, pero chégalle ben. Por iso non entendín que a fulana perdese os papeis polo obreiro, francamente, que nin funda de traballo gastaba. Entre un Yvan Attal pedrés e de bata branca sobre un fondo luminoso de corredor de hospital e o morenazo repoludo e peludo do Sergi López cargando mobles nunha camioneta ou colocando baldosas non hai color. E visto así e ata aquí, por min ben podía quedar a eslamiada insatisfeita co catalán e iren apañar melóns en plan contigo pan e cebola. O que non lle perdoo de maneira ningunha á directora foi o rumbo que tomou a historia ao final. Chafoume ben chafada.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Zafarrancho!








Maid de Marc Sijan (USA) na XV Bienal de Vila Nova de Cerveira




Hoxe vacacións (?!) forzosas. Non queda outra. Créanme: preferiría quedar tan ricamente aquí diante do ordenador, a traballar arreo, coas miñas escapadiñas polos blogues, ou até as espreitadelas no botafora do feisbu (bf-fb). Pero non pode ser. E canto máis penso en todo o que me espera, menos gana teño de levantar o cu. Polo pronto, vou ir gardando en carpetas baixo sete chaves as personaxes de mal ou ningún vivir que me acompañan acotío. E veña, a pór lavadoras, a pasar a aspiradora, a facer camas, a cociñar, a dar un repaso á cubertería, á vaixela e á cristalería para dez persoas (só?, dirán algúns; un noventa por cento máis do habitual, digo eu). Ah, si, o máis importante, a preparar un abrazo grande enorme pequerrechiño para a Ana, que chega hoxe, e xa me tarda! Isto, se non é chocheira de avoa, non lle anda lonxe.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Vêm aí










Pois, este ano a família decidiu maioritariamente que celebrava o fim de ano na minha casa, se não me importava. E é claro que me importo. Se não me importasse eles podiam ir celebrar o fim de ano à casa do... Então, quando me ataca o stress e descubro que está quase na hora, vou comprar qualquer coisinha para preparar o jantar (e o pequeno almoço e o almoço do dia seguinte, suo em frio) e faço contas: terei lençóis para todos? Não. E camas? Também não. (Sempre está a opção de manda-los a dormir com os cães, os animais são meigos e aquecem-se uns com os outros. Muitas vezes eu já tive vontade de ir dormir com eles... Se fui não fui é comigo, não queiram saber tudo de mim.) Toalhas, copos, pratos, talheres? Sim. Pena, este era um bom pretexto, com a gripá e tal não era coisa de partilhar os copos. E digo, podia desaparecer, deixar a chave no vaso da entrada (E tenho vaso na entrada? Não) e um bilhete a avisar que me sequestrou à última hora uma célula de Al-Queca), que fiquem à vontade, celebrem, comam as uvas, brindem e deixem tudo limpinho quando forem embora. Talvez para o ano. Neste ainda os aturo. Veremos.

E as saudades todas de quem já não está.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dessonhar ternuras










Ele mentiu-lhe ternuras para melhor passar o dia. Ela, desistida, deixou-se segurar pela cintura contendo o alento para não afogar tão logo, que as águas eram fundas e turvas, povoadas de algas castanhas, viscosas, tentaculares. Os espinhos das rosas que lhe ofereceu feriram-lhe as mãos, como se chorassem pedaços líquidos de vida, enquanto os tubarões sorridentes, dentudinhos, à espreita, abanavam a cauda.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Treboada (8)










De madrugada, instalado no ultramundo, mentres os lóstregos fendían o firmamento e agardaba o estalo que lle acelerase o corazón ausente, síndrome do membro amputado en corpo ningún, Xoan Lobo Vieira recuou á infancia. Fascinábano as treboadas.

Naquel país, era o vento cálido de agosto o que traía o primeiro sinal: recendo á terra húmida que pairaba na atmosfera, invadindo o olfacto de prognósticos:

-Vai chover!
-Vai mesmo.

E caían chuzos de punta que se quebraban contra a secura do solo corteado. Xoán Lobo Vieira gabeara á ancha meseta da cociña para contemplar pola fiestra o espectáculo gratuíto de auga e luces. Tanto lle tiña a frialdade do mármore nos xeonllos cartografados de cicatrices. Estaba cos ollos presos no patio alagado, no fume de vapor abrancazado que se erguía sobre a terra quente, coma nos contos que lle aliviaban o camiño á escuridade nocturna. Pingas que rebotaban e ascendían para caer de novo, pingas que repenicaban contra o metal do canalón, pingas que batían contra as tellas e as baldosas, e as outras, silandeiriñas, sobre o barro branco calcario, construían unha orquestra de tamborileiros discordantes contra o remusmús fungón das oracións á santabárbarabendita de fondo con que as vellas, coñecedoras do poder destrutor dos raios, escorrentaban os temores, tecendo un tapiz de roncón gregoriano.

Plin! cantou a derradeira gota na lata de galletas, bebedoiro de galiñas e aves residentes. O meniño Xoán Lobo Vieira recuou dun pincho para baixar da meseta e bateu no medio e medio das canelas contra o bordo do mármore. Ao recordalo quixo tragar cuspe e engulir as bágoas, pero os mortos carecen de corpo en que albergar líquidos derramables. Da ferida fonda que se lle formou na perna dereita abrollaba sangue e dor; na esquerda había apenas unha raspadela nin merecedora dun salouco. O don Braulio, o médico, que vivía ao lado, fíxolle logo a cura e colocoulle unha venda, leu o ABC e dixo, como era o seu costume, cen veces adeus antes de marchar. Daquel concerto quedoulle para a vida na pel apegada ao óso unha marca en forma de triángulo e unha coviña leve, coma a entrada nun diario.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Acoutamentos teatrais













A cuestión é elixir un título raro. Chego á librería e tras esculcar nas mesas de novidades —cabeciña!, non ves que é teatro, muller?—, recorro á dependenta —divago sobre a diferenza entre ser dependenta ou dependente, e non falo de sexos, senón de palabras invariables en canto ao xénero, pois nese momento, son (tóxico) dependente da dependenta. Timidamente solicito o último libro —non me lembra o nome, minto— do r.r. —feisbuqueiro fervellasverzas, que mudou de casa porque a Alicia alí xa non lle crecía, seica, e non quero saber de metáforas...—, que logo aparece na pantalla do ordenador e que a señora que me atende le sin escrúpulos de conciencia. Respiro. Ese, ese, digo, sen me atrever aínda a darlle consistencia aérea ás letras. E como o vulto me parece escaso —cabeciña!, non ves que é teatro, muller?—, pido unha ración de dicionario en dous volumes —todo letras negras, sen apuntamentos vermellos, nin subliñados amarelos, alá vai o meu labor de formiga ao garete.

E leo: personaxes poucos para quen interrompeu a lectura de Guerra e paz por isto —cabeciña!, non ves que é teatro, muller?—, en concreto tres. Hai un home alto e xordo e un home baixo e cego: o primeiro ama os caracteres; o segundo adora os sons. Os dous gozan da vida, da liberdade que lles outorgan as limitacións que non senten, afeitos a contemplar o mundo desde unha perspectiva de seu, non dunha acoutada por outros. Até que... aparece a terceira pata do banco, que é todo canto se pode ser, carente de afectos e defectos, en efecto: o interfecto perfecto... ou non. Porque pensar é malísimo para a saúde mental. Aí está a clave, aí e no muro transparente, verde, que eu imaxino da cor das botellas da água das Pedras (Salgadas) —agora entroume sede de auga con borbulliñas, cóxegas— para entender o título —que sigo sen me atrever a pronunciar, tanto que até o google porfía en dicir que se será que procuro non sei o qué que non procuro, incrédulo ante o que lle pido que procure!, pero, que esperabas?, cabeciña!, non ves que é teatro, muller?, e en galego!— e a colaxe do inicio, unha canción de fondo —con cuxa letra tampouco se dá maña o cego, o cal me redime do desacougo vacilante ante a articulación fonética do título— ou un himno —abismo sideral entre as melodías.

Demoro na cursiva das notas sempre, e xa ao final nos textos que a escenificación desbotou, talvez por longos, case monólogos, regalía de quen pasa follas de papel, páxinas... como as tomas falsas dun filme, recuperadas entre os créditos, por decisión propia —ou non?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Invernía










E se non sucede nada, que conto? Só que ir en coche á Cidadeabertaaomar non rende? De catro recados que tiña que facer, cumprín con dous. Aínda ben, os imprescindibles: médicos, receitas e tal (tal é libros: hai unha librería preto do hospital, deberan prohibilas). As salas de espera xa non son o que eran. E iso que hoxe había atraso, pero que rabia!, non foi así tanto como para que me dese tempo a rematar o drama! que traía quente nas mans. E os pacientes, que agora chaman usuarios, nin se alporizaron, se cadra pola inminencia do Nadal. Mágoa, sempre daba para contar algo. Que que fixen entón? Volver coa mochila cargada de libros e medicamentos, para subsistir un mes, psíquica e fisicamente. E un dicionario pesado que me deu para cismar mentres subía a pendente ata o párking, acorando: será certo que ando mal de glóbulos vermellos? Ou é só que perdo fondo? Eu poríame no mellor, pero xa non distingo o peor do mao. Que tráxica ando, xa me vale. Nin que fose inverno.

domingo, 20 de dezembro de 2009

As aparencias (7)










Xoán Lobo Vieira mirouse no espello. Naturalmente non se viu. O que viu foi o eido que había tras a parede que había tras o espello. Viu as árbores e tras as árbores, os montes; tras os montes, o mar; tras o mar, un continente, mar e máis mar, outras terras, estrelas punteando un lonxe infindo en que o día xa era noite. Do que el fora, transparencias só. Tivo que se imaxinar, definirse o contorno, os ollos rebuldeiros, o sorriso ausente nas comisuras caídas da boca desdentada, perplexo. Até que...

Achegouse á mesa de cabeceira. Estaba alí aínda. Colleu o vaso e volveu para o cuarto de baño. Baleirou a auga choca polo sumidoiro da pía. Abriu a billa e lavouna ben lavada. Logo colocouna no sitio como se aínda existise sitio onde colocala. Virouse de novo para o espello, viuse ao cabo. Era só dentes sustentados na nada do corpo distraído contra a paisaxe de froiteiras, cumes, océanos, américas e asias, universos. Entón ocorréuselle unha idea. Quitou do armario o traxe dos domingos e vestiuno, calzou os zapatos novos e as luvas de coiro, axeitou, escorándoo, o chapeu de feltro por onde fora a cabeza. Abriu a porta da rúa, a inseguridade a preceder os pasos. Os farrapos da primeira nevada do ano pousáronlle nos ombros coma bolboretas brancas, xarelas. E púxose a camiñar finxíndose xente, perseguido por un rastro ben nítido de pegadas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

De pouco durmir e moito respirar










(avanzar)
Son as dúas menos dez da madrugada cando sae de min a cidade. Na radio fálase do regreso de Aminetu Haidar a El-Aaiún, de que ao día seguinte se vai debater no Parlamento catalán sobre a prohibición das corridas de touros. Quedo por aí, coas boas noticias, e poño o disco de Tótrips, Guitarra 66, que veño de escoitar, en directo, plugged e unplugged, pola brava, na sesión de Quintas de Leitura. Canto, ás veces, diva soprano, para me manter esperta. Total, ninguén me ouve.

(rebobinar)
Non pensei que poesía fose inmateria de atraer masas e funo deixando para o final, até que entrei en pánico de berbequí motorizado. E se chego e non hai entradas? 100 quilómetros ilusionados máis 100 quilómetros desilusionados suman nada. Por iso, as nocas, tímidas, petaron na porta e a voz pola punta dos dedos gritou, maxia das mans completa: Hai alguén aí?!

  • Não há alguma maneira de reservar bilhete? É que eu queria assistir, mas tenho de fazer 100 km (de ida e outros tantos de regresso, obviamente) e vou com o tempo justo. Se depois chego aí e está a lotação esgotada, morro mesmo no sítio (sempre é uma chatice morrer às portas dum teatro).

E do outro lado responderon a Patrícia e o João (e eu tan-tan obrigadísima desde aquí a eles), que non, que non se podía consentir tal drama perralleiro en local nobre, calculando o desastre, imaxino, que ía causar certamente incomodidade aos asistentes e, quen sabe?, incluso un atraso na impreterible hora marcada de inicio da sesión, eu xa imaxinando os efectos pésimos do óbito, sobre min principalmente, que ao cabo é case inverno e a putrefacción é lenta.

(deter)
Silenciada a guitarra, entrei na casa, cos libros flamantes a cubrir o baleiro da noite pouca que me restaba, e ti, nin caso, negándome, negándome.

Custa-nos respirar,
a paixão exige-nos que nos
abandonemos à ideia de uma asfixia:
eu sem ti não posso assinar
o tempo,
preciso dos teus
olhos
de cidade devassada.*

E un plus inesperado, agasallo de minutos versos como estrondosas plumas de guacamaio (ai, ai, o Oscar Mourave musitándome...)

agora eu era linda outra vez
e tu existias e merecíamos
noite inteira um tão grande
amor

agora tu eras como o tempo
despido dos dias, por fim
vulnerável e nu, e eu
era por ti adentro eternamente

lentamente
como só lentamente
se deve morrer de amor.**

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*Cerco voluntário. Vasco Gato. Cadernos de Campo Alegre / 13
**o resto da minha alegria. valter hugo mãe. Cadernos de Campo Alegre / 7

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Manteiga e noces










Agora entendín por fin aquela historia toda da manteiga, do tango e París France. Mira ti por onde fun descubrir que era unha lección de gastronomía. Confeso: saín un tanto así enxoada, co colesterol ofendidísimo e o J (un dos meus J, ollo, non o único nin todos) soñando cunha mesa ben abastecida e tentando persuadirme de que teño que montar unha cociña industrial. Eu, que un día si e outro tamén como lavado e só comigo? Pero é que ao J encántalle ver os outros a edificar os soños del, por iso non lle levo moito a contra. Limítome a non lle facer caso ningún e a convidalo a un caramelo. Total, que a película, fóra a manteiga e a voz lixeiramente estridente da dobradora da Meryl Streep, que me fura os ouvidos delicados con que esta miña idade madura tirando a podre me agasalla, está entretida. Nada que me mude a visión do mundo, nin me conmova, pero a compañía era agradable (o rapaz é bonito) e ademais tróuxome unha saquiña de noces de León, que son boas para o colesterol, disque, na súa xusta medida. E así xa compensa.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Exorcismo










Agora a soidade apégase, disque. Non entendo ben o funcionamento dos mecanismos dese devorar nos outros a temperatura cálida dos corpos. Se cadra é simple: a renuncia á compañía por uns desacompaña no próximo, afastándoo do mundo humano, arrimándoo aos reinos da irracionalidade: trebellos interactivos, animais aglósicos, plantas osixenantes, cogomelos plácidos, microorganismos simbióticos. Pero, francamente, desconfío de que sexa ese o proceso. A soidade, se acaso, reprodúcese no mesmo ser que a alimenta, medra, invade coma un tumor —sen entrarmos en malignidades—, espállase até os dedos e as orellas. E aí detense, que non hai mais carne en que prender. Non creo eu que sexa microbio de transmisión aérea, alado nin leve, a través de espirros, nin de contacto, apalpantemente. Se me preguntasen a min, diría —pero xa digo, só se me preguntasen— solemne: A soidade é un problema corporal interno, que non chouta de cabeza en cabeza como os piollos, moito menos coma os seus curmáns patos das pudibundas partes peludas, ai iso non!, nunca. É máis do estilo bicha solitaria, a propósito, okupa egoparva e cega, tanto que se nutre matando aquilo que a mantén vital e rillante: a miña estrutura sólida. O maxín, porén por iso, ten outros recursos: redacta cartas, ou poemas, ou relatorios filosóficos. Escribe, pronto, ou soña de alto, se vai frío: isto é, prolóngase comunicante expreso, desabafa, cospe monstros e belezas, para quecer un chisco os pés.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Sincronía







A Lima co seu amigo Roque, que botou uns días de campamento de outono.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

E se foses morrer mañá?


Recoñecerse nos xestos: contemplar pola ventá o mundo que camiña cando o propio está para se deter, nin que as paisaxes sexan tantas e outras; traspasar rostros, crear historias, e quecer as mans agarimando a cunca do café para escorrentar o frío do miolo dos ósos. Non é estragar o tempo pouco pasmar e divagar, soñarse diverso nos moitos uns que pasan, ou degustar —ante a inminencia da certeza implacable e única incluso para quen nin a imaxina á espreita tras un semáforo— a beleza dos momentos, avelaíñas da existencia... anacos de ceo entre os edificios ou as nubes —tanto ten—, bailar, sorrir, chorar até non poder máis.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Mais menos










É assim. Quem passou pela caixa de comentários do texto anterior, quem se achegou ao Quiproquó ou espreitou no féisbu sabe que ontem fiz anos: mais menos 48. Recebi, por isso, mais menos zeros, milhares de felicitações. Contudo, houve uma de cujo impacto ainda não me recuperei e que me deixou a ver luzinhas de cores, pois diz, mais menos palavra, assim:

Minha desgraçada, que não me avisaste que fazias anos!!!!

Maria, uma grande beijoca, e muitos parabéns. Não sei se é algo que te alegre, mas és das pessoas que mais prazer me deu [...] neste mundo.

Ora, eu sabia que tinha boa mão com cães, Rafeirito, mas isto, é coisa que se diga a uma velhota? Se ficares todo arranhado agora, a culpa, compreende, não é minha.

Beijoquita e abracinho grande para todos! ^_^

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Hábitos viciados

Miss Anyeska chega ao café e já na esplanada vê o copo meio vazio de cerveja, as pontas apagadas dos cigarros no cinzeiro e a pasta dos papeis do senhor Luís sobre a mesa, a cadeira impaciente. Estará na casa de banho, pensa, mas pensou mal. O senhor Luís —logo descobre ao alcançar a porta— está frente à máquina do tabaco, introduzindo uma moeda com a mão direita, a esquerda descaída e silenciosa. Espirra. Nenhum escudo sobre o rosto impede a propagação de micróbios em borbulhinhas de cospe pela superfície metálica (não se adquirem hábitos dum dia para o outro?). Um pingo transparente fica pingando do nariz ao chão como um ioiô e Miss Anyeska, paralisada, engole de boca seca, enche de ar os pulmões, dá um passo e diz boa tarde. Pede um café ao balcão, normal. É uma boa altura para deixar de fumar.

domingo, 6 de dezembro de 2009

1130 km / 36 h






Chuvia e vento decontino case até Benavente. Despois sol. E nubes. Segovia. Un cuarto de hospital. Nubes, nubes, nubes, que van e veñen pola mente, achegan e afastan lembranzas. Se necesitas algunha cousa, dimo, repetíame. Esquécelle quen son. Isto de ser vello, dicía. E a filla de H, sabes como se chama? Ana! E sorría. Este hotel debe ser caro. Non se ve nada desde a ventá. Non, non se ven piñeiros. Ponlles algo a estes señores. Non me deixedes só. A noite.


A mañá. Sol, sol, sol, a pequerrecha. Que sorrí. E ás veces chora pero pouco. E logo nubes, chuvia desde antes de Puebla de Sanabria. E vento, e chuvia. Vento e chuvia.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

As mans (6)

Ao Xoán Lobo Vieira só houbo dúas persoas que o quixesen. Un foi un mariño mercante ao que coñeceu nos 17 anos seus, home feito, enxuto, de todas as barbas, bonitiño e limpo, a manicura esmerada, educado e coñecedor de mundos e mares. E cariñoso: unha alfaia que até para xenro de prol daba se houbese sogra que o pretendese. O Xoán Lobo Vieira, no seu adolescente pensar, perdeuse de amores por el e foi correspondido, de facto, en perdición de amores polo mariño, o mariño mercante, o seu Sinbad, náufrago de mil illas-palabras.

Un día de finais de verán ou principios de outono, coa maré alta, o mariño colleu un avión rumbo a ninguén se lembra onde para embarcar rumbo a quen sabe xa. O Xoán Lobo Vieira, no estudio de Vilamormallo, aprendiz da vida, escribiulle unha carta chea de verbos, adverbios e substantivos escollidos un por un, agarimados, bolboretas prendidas con alfinetes crueis ao papel. El respondeu cos tópicos que lle aprenderan na escola dos poucos saberes, alfabeto e arimética, comas coma vómitos: "Pola presente, espero, que esteas ben, de saúde..." O Xoán Lobo Vieira non continuou a ler, coa desilusión esganándolle o alento. Decidiu que para a próxima había namorar cun poeta. E botou ao lixo a carta e a paixón.

Anos despois, de regreso a Vilamormallo, cruzouse por acaso co poeta e recoñecéronse nos ollos brillantes de timidez e un punto de alcol. Era bo mozo, alto, de barbas tamén (que andazo!), moreno e falangueiro, do seu tempo. Escribíanse cartas e namoraban á distancia habitándoa de superlativos. Por fin quedaron para se encontraren. El petou na porta do estudio, sentou no sofá, falaron de literatura e tomaron café con leite e torradas. Ao Xoán Lobo Vieira, entre recitados, esguellóuselle a vista para os dedos do poeta: mudoulle a expresión e a conversa. O poeta nunca soubo por que partiu as peras con el. O Xoán Lobo Vieira nin morto esqueceu a terra negra acubillada nas uñas do poeta.

No cuarto de baño o espectro contempla os dedos que xa non ten, recorta as uñas e límaas devagar sen barullo, mentres repasa no itinerario abandonado da vida, as mans delicadas dos poetas todos que amou sen que o amasen.

Disfuncións incorpóreas (5)

Entrou no cuarto de baño por rutina: é ben complicado desprenderse dos modos de proceder con que nos civilizan os instintos. Así que sentou no váter coma quen cumpre cunha necesidade ineludible mentres matina sobre o enigma esencial da humanidade, de onde vimos e a onde imos, para descubrir, chafado, que acaba de despexar a última parte da incógnita.

—Así que nisto consistía a morte? Que o café non caia ben no estómago, por exemplo, ou sentar a obrar sen gana? Se o sei antes!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Os nove segundos en que fun líder de masas





Até que enfim! Já foi publicado na página de MicroQontos o relato que escrevi: Os nove segundos en que fun líder de masas. Logo-logo mas nem tão logo, coloca-lo-ei cá. Por enquanto, cliquem, vão lá, e já de passagem, podem ler o resto das histórias. Como não é coisa de votar, que aquilo é "café para todos", vou poupar em subornos... e angústias.

A (frágil) linha traçada no ar...










Este texto é fragmento duma
carta que escrevi em tempos.


Falar em caça sempre me lembra um sucedido. Tenho um tio de quem muito gosto, lá em Castela, irmão único de minha mãe. Ele é —era, agora já não— caçador, de caça menor (dizia que era incapaz de matar um bicho grande, com aqueles olhos de pessoa a mirar para a gente). Com ele aprendi a querer os cães, eu treinava-os com bolas feitas de papel de jornal velho e esparadrapo (não sei como se diz em português, essa fita adesiva que vendem nas farmácias para colar as vendas, antes era de pano, agora de papel, e que na minha família materna é tudo só farmacêuticos). Um dia pedi-lhe para o acompanhar. Madrugámos muito e lá fomos a caminhar para os campos de trigo, entre os restolhos, tudo amarelo e um horizonte infinito onde descansar a vista (e como eu adoro aquela terra seca, onde um manancial ou uma árvore são prodígios de encantar e as nuvens parece que basta esticar um braço para alcança-las!). Estava feliz que nem sei explicar. Ia atrás dele, como me indicara, com cautela sempre, atenta. De pronto, à nossa frente saiu uma codorniz a voar: retive aquela imagem da ave pequenina e torpe a bater as asas, como se aparecesse num ecrã... e na metade deste, pum!, vi-a cair, a linha que traçava no ar rota, eu com o coração de criança encolhido, lágrimas quase a abrolhar... Mas engoli-as, não queria que o meu tio me visse a chorar, não o queria desiludir (como se ele não fosse perceber, he!). Só disse: "Tito (chamamos-lhe assim Tito, de tio), vou para o carro, que estou cansada. Espero ali". E lá esperei que ele voltasse —à sombra do Ondini bege e da tristeza—, que não demorou muito. Sei que lhe estraguei a manhã de caça, mas ele não me recriminou nada, nunca comentou, é bom de mais para isso.

E agora lembro que devo chama-lo, ver como ele está, que já vai velho e não deixam andar só agora de carro. Antes passava as tardes todas num pinheiral que tem imenso, não sei quantas hectares, às vezes incluso o dia inteiro ele lá, a plantar pinheiros, tirar água do poço para as aves, apanhar cogumelos... De caçar deixou há muito. Disse-me que tinha pena de matar os poucos animais que ainda restavam. Tenho de voltar e leva-lo, para competirmos, como outrora, a ver quem conhece mais nomes científicos de animais e plantas.


Telefonei-o há uma semana, estava de aniversário. Desta vez nem me perguntou pelos cães, quantos tens agora?, como era seu costume nos últimos tempos, a avidez instalada do monstro que lhe vai engolindo as lembranças. Percebi que não conseguia me reconhecer, mas na sua inseguridade sentia a minha voz como de alguém muito próximo. No final, na despedida disse-me:

—Então quando vens por cá? Precisamos muito de ti.

Soube aí que retrocedera à aqueles anos por um instante, que me reclamava para lhe ajudar na farmácia como sempre fazia durante as férias da escola.

—Já não tardo —respondi.

Tardei de mais. Chamaram para me avisar que está no hospital, grave. Vou ir, mas já sempre vai ser tarde.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Pallasa!

Que saibades que estiven a xantar cun George Clooney de andar pola casa e nin o recoñecín. Besta parda é o que son. Foi a finais do mes pasado durante unha xornada profesional. Nestas xuntanzas de reforzamento identitario adoita haber unha comida polo medio, ou fame negra, no seu defecto, e así, chegado o medio día, fomos ao restaurante. Procurei sitio na mesa e enfiei os ósos onde me cadrou, entre dous guichos. Vencendo o meu tuzarismo militante, recorrín ás armas da naturalidade de que carezo e solicitei aos corpos conlindantes cadanseu nome. Primeiro ao da dereita, que non me soaba de nada, pero nada. Era, dixo, Fulanito, profesor de universidade, que ía de relator ao acto. Logo pregunteille ao da esquerda, e ti quen vés sendo?, que me soaba de vista (que expresión esta magnífica!). Quedou a mirar para min con ar de incredulidade, como rei pasmado.

—Estás de coña, ou? —Aí descartei que fose o Clooney auténtico, porque este sería máis de: Are you fucking kidding me, aren't you?!
—Non, en serio, non sei quen es.
—Non sabes quen son?!
—Home, sei que es dobrador, todos me soades un pouco de vervos cando vou polos estudios, pero saber, saber, vasme perdoar, pero non.

O cata botouse a rir, imaxino agora que era risa frouxa e case humillación, ou quizá convencemento de que eu era unha pallasa. Falamos do oficio e dos inicios e do bo que estaba o cordeiro pero que non, que non comía máis: a conversa normal nestes casos. Desmemoria a miña, cando me levantei da mesa nin o nome me lembraba xa...

Pasou un par de semanas e tocoume traducir unha película de galego a inglés, para subtitulado. Tiven que lidar cun programa novo, de maneira que pasei quince días vendo as imaxes para diante e para atrás (mandando baixar santos do ceo cada vez que se me borraba o que escribira...), conxelando e desconxelando o avance. Namentres ía vendo ir e vir o protagonista polo monitor, un actor galego de sona, nos estritos amplos límites do que se poida considerar "sona" para un actor galego que mesmo participou nunha obra oscarizada.

E que?, diredes. Pois que só onte, cando rematei o choio, caín da burra: o famosísimo protagonista daquilo era o tal co que estivera a xantar no día de autos. Quería ou non quería unhas ben dadas? Pallasa!

domingo, 29 de novembro de 2009

No more running away










Amañecera de nin ir nin vir, cincento a pedazos e frío: para cine e museos, baixo teito. Tiña na axenda mental unha revolta á Fundação Serralves onde alá vai e fun... desenvolvela. Gustoume a exposición de Augusto Alves da Silva. Do resto, foime sobrando todo. Pero a mañá virou brillante e fotoxénica no xardín, e clic-clic-clic, déronme as tantas. Saín correndo para o cine. Alimento só no espírito.

No sueltes la soga que me ata a tu alma. No silencio portas que se fechan con estrondo. Nunha carta a promesa rota, amarelo o papel do tempo. León Felipe e Roberto Bolaño da man da ficción. Running away e un tango de fondo fondo: Angie is dead, my name is Tetro. Como podes fuxir da túa escrita? Acaso non te persegue? Accidente mortal, abandono, a familia, un manuscrito e un espello, minutos-imaxes a máis, rivalidades e misterios, xenio e éxito. La Boca e La Patagonia, os extremos, a paixón de viaxar. Coppelia ou a boneca partida en anacos sen sangue, that's love? Pais, fillos, irmáns, no more running away. Iso é amor.

sábado, 28 de novembro de 2009

Os pés (4)

Despexadas as escaleiras, a soas por fin na casa e no mundo, Xoán Lobo Vieira subiu ao dormitorio. No maxín demorábaselle preguiceira a sensación que noutrora lle producira a calidez dos chanzos de piñeiro. Ignoraba aínda as avantaxes que en atallos e desatrancos lle ofrecía o seu inestado recente para deambular (roldar, diríanlle agora os vivos ao itinerario circular dos pasos rasantes sobre a terra, distinguíndoo así do deles: recto, plúmbeo e sonoro) e confiaba nos pés que tivera —brancos, case translúcidos, coma os do escritor estadounidense asentado em Portugal que se deixaba fotografar descalzo e distendido nun sofá—, certísimo, e a partes iguais enganado, da inabdicable condición destes.

Tiña unha eternidade para desaprender.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Recaídas










Por causas alleas ao grupo, as clases de patinaxe só recomezaron hai tres semanas. O primeiro día, o monitor, aleccionando os novos, advertiulles que se querían aprender non se ían librar de caer unhas cantas veces, que era inevitable, que todos caemos e que tumba (ou tomba) e dálle. Namentres, Sun Iou Miou, servidora, fervéndolle os pés e co discurso sabido de corpo e cor, entretíñase en tentar malabarismos (e o demo) sobre as rodas traseiras dos patíns.

—De aquí a nada —engadiu o profesor virándose para min— aí a Sun Iou Miou faivos unha demostración de como se debe caer sen mancarse.

Meu dito, meu feito. Foi ouvir o meu nome, levantar a cabeza, desequilibrarme e mandar o primeiro batecú da tempada, como pallaso ensaiado. Os novos estartelaron os ollos e os veteráns regañaron a queixada, mentres o monitor, que ten nome de deus da guerra coma unha chufa do destino, se enchía de razón:

—E non o fixo adrede.
—Abofé que non —corroborei cos ollos esbagullados do ataque de risa.

Logo, durante o partido de hóquei, sufrín a segunda porque mentres fuxía coa bóla, o Á meteume o pau entre as rodas do patín esquerdo (Falta! Falta!) e aló fun eu a espatelarme coa perna reviritada, sobre a cicatriz de sempre, coma no amor. Non foi nada ao que puido ser. E o sangue, sendo algún, non daba para fillozas.

Total que pasei unha semana reprimíndome de arrincar a bostela, para que a ferida me curase ben, que ás veces danme arroutadas autodestrutivas. Porén, durante o partido desta semana, volvín turrar contra o Á e ao caer, batín... adiviñen, sobre que xeonllo? Xusto nese, xusto sobre a ferida non curada, e do golpe arrinquei a bosteliña que tanto me custara conservar. Malfadada eu!

(Nestas sempre me acorda a do que matou o cabalo dun tiro porque se lle ferira cunha silveira:
—Se non o mato, desángraseme! —explicouse o cata.

E eu polo si polo non, río e érgome, como se nada, sacudindo o po.)
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P.S.: Onte foi a terceira clase e non caín nin unha soa vez, pero foi só por non volver arrincar a bostela.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O poeta que virou prosador (sem destorcer nada)










manhã seguinte partimos e nada novo se deu. dia inteiro reavemos caminho que havíamos gasto à ida. Certinhos de nem querer esperar o tempo de um suspiro, rodámos carroça ininterrupta ansiando, como por vida, proximidades de nosso pai e ermesinda. o aldegundes falava na sarga, e eu anuía, e a sarga, pobre coitada, sozinha para várias noites, despalavrada de ninguém, ainda se morre de estupidez por ignorância de saber que viajámos ao invés de morrer. 
o remorso de baltazar serapião. valter hugo mãe


Não é leitura para seres sensíveis mas é preciso ser sensível para lê-lo. Aviso: li-o do princípio ao final com a alma (pois, isso que já não tenho) encolhida. Agradável não é adjectivo para definir a emoção de quem segue a viagem pela mente do baltazar serapião, ao contrário, foi para mim e muito, muito convulsiva a força da escrita do valter hugo mãe*, são potentes as imagens que transmite, fez-me vibrar, sofrer com quem sofria e desfrutar da beleza com que transforma o mundo (os seus abismos e cimeiras, os seus horrores e excelências) em literatura de maiúsculas minúsculas.

Transformar o mundo em literatura era o título da conferência que me levou ao pé dele ontem, numa manhã de bágoas dessalgadas e ventos como ar de pulmões que se agarram à vida, sol por dentro de mim desafiante. Ele falou de si, de vencer os medos, de lutar contra as vertigens, de perseguir os sonhos. Como se fosse qualquer um de nós, mortais. Porque é gente, afinal, nem que escreva como um anjo sem céu.

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* As letras e a voz são dele... Xiça!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Falo pouco de mim, diz-que

Tenho certeza (e deve ser das poucas minhas) que este desafio já me foi lançado por mais alguém e recusei-o muito educadamente (disto tenho certeza também, já vão duas, de aqui a nada estou acreditando em divindades de toda a espécie). Mas lá veio o Marreta com o convite, a dizer não sei o quê de estertores finais e, como é bem sabido, não se podem contravir as últimas vontades dos moribundos, pois isso pode vir a ser a morte deles. Estás a brincar, pá?! Nem sonhes em fechar o tasco!

Assim que aceitei, até porque há alguém por aí que disse que eu falo pouco de mim?! Acham? Olha, meu: é só pegar neste blogue desde o início e tem lá inclusive a minha idade, exacta até nas horas. Contudo, claro, isso é muito trabalho, n'é, seu preguiçoso? A gente tem de dar a papa estrulhada e mastigada em cinco frases brevíssimas, fazer um resumo da vidinha, delinear o indelineável em cinco traços.

Vá lá, pronto, vou fazer, mas com ligações aos textos que disso tratam, que sou cruel (mágoa, mas não pede adjectivos qualificativos o repto, que ainda tenho no acervo mais uns quantos que me são aplicáveis), ou nem tanto: só se a curiosidade os mata é que precisam de clicar.

EU JÁ tive um cancro.
EU NUNCA morri ainda.
EU SEI andar de bicicleta.
EU QUERO escrever a letra duma canção.
EU SONHO umas estupideces assustadoras.

E porque a vida já tem regras que se farte e porque encontro prazer em quebrar correntes, e cá entre nós, porque não se inclui nas ditas regras que por quebrar a corrente eu vá deixar de ganhar o euromilhões (nem que não jogue, que é o que tem mérito), nem que me vá cair (mais) uma maldição espezinhante, PROÍBO que ninguém dos que aqui venham aceite este desafio sob pena de levar uma praga que se lembra de mim para o resto dos seus dias poucos. Mahezu.

P.S.: Marreta, raistepartam, apaga-me esse FIM do coiso, que já me chegou de blogues fechados!!!

domingo, 22 de novembro de 2009

Apuntamentos filosóficos

(Este texto é do domingo pasado. Nin deixándoo de mollo fun quen de facer del nada de xeito.)

Na sala 1 as butacas están ocupadas maioritariamente por cincuentóns, mentres que unha masa de adolescentes fai cola para ver o filme da sala 2 (o tal de que o mundo vai acabar de aquí a nada).

Non era moi acérrima admiradora eu do Amenábar des que me decepcionou con Mar adentro. Pero aconselláranme, vai vela, a ver que che parece. Pareceume ben, sorprendeume. E iso que son máis de cine de corte europeo, onde a xente normal fuma e non só os maos da película. Pero claro, daquela aínda non había tabaco por estas bandas, normal que non se fumase. (Vale, igual fumaban outras plantas.) O caso é que tiñan unha facilidade para queimar papel... ou pergameo, chámalle como queiras. Se os cachan hoxe zoscando tales lumes, xa estaban os forestais dando aviso aos bombeiros.

Xa de pequena me conmovera a destrución da Biblioteca de Alexandría. Agora sei por que: eu tamén creo no amor á sabedoría. Niso se resumen para min as dúas horas de Ágora que fun ver unha vez que o vento nos deixou sosego.

Excelso comentario perpetrado en voz alta e clara ao remate por unha guicha dos meus anos:

—Que pena! Xa sabiamos que ela morría, pero mesmo así...

En fin, son perspectivas. Pero debérana ir ver se aínda non foron. Sen buscaren rigor histórico (para iso vaian aos libros de historia). Gocen da ficción, que merece moito a pena. Aínda que morra a Hipasia ao final, quero dicir, aínda que a maten.

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O comentario remíteme a outro que ouvín un día destes nun café na Nova entre unha moza que fora ver The Visitor ao Poleiro e outra que non.

—E gustouche?
—Gustou.
—Dixéronme que o protagonista era guapísimo...

Estou por apostar que non entendemos por protagonista o mesmo actor. Pero como digo, en fin, son perspectivas.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Eutanásia










A pequenininha está doente, muito doente, aliás, doente de velhice, que é enfermidade sem cura. Enquanto escrevo isto, ela chora e chora. E eu aguardo pelo momento de arrancar com ela para o veterinário, mais um dia, ver lá o que o se pode fazer ou fazer, se for o caso, o que se deve. Surda, cega e com dores, não me queria eu assim, e só espero, quando me chegar a hora, que me chegará e também não vai ser suave, que alguém tenha dó de mim e uma seringa à mão.

domingo, 15 de novembro de 2009

A vocación de ser triste

Non é estraño que ás veces
non soe ledo o meu verso rebelde,
pois eu son triste. Xa cruzaron o [Flexetón
tres cuartos dos meus lectores.

E vós, amigos! Quedades ben poucos,
e quérovos cada vez máis por iso...
Que curto se fixo o camiño
que semellaba ser o máis longo.

Só o silencio me responde. Anna Akhmátova (Tradución de Ekaterina Guerbek e Penélope Pedreira)


Mándame o Mourave un documental sobre Emil Cioran, que devoro, os ollos e os ouvidos presos ás imaxes e os sons, procurando absorbelo alén dos escasos fragmentos traducidos e o meu descoñecemento do romanés (da lingua, do filósofo). Velaquí o mellor convidado ao té das cinco para esta fin de semana que se finxe apocalíptica. É domingo, pleno outono, e fóra venta e chove como se nunca mais fose estiñar a ferida das nubes. Fóra, tamén, impera o silencio dos paxaros: de sempre me inquietou a sorte das aves durante as zarracinas.

Na illa en que hoxe habito resóame o troupeleo da caveira con que o neno Cioran xoga en solitario ao fútbol, bailando no límite da inocencia co remorso, a adolescencia que o expulsa do paraíso montañés, a iniciación na filosofía, a fascinación xuvenil pola parafernalia do nazismo, o distanciamento con que observa o ambiente intelectual francés. Fascíname o seu rostro de louco e a evidencia lúcida do seu discurso, sacódeme o razoamento con que xustifica a decisión de renunciar á escrita. Agora xa o sei: talvez eu non teña tempo de escribir moito, pero sempre vai ser de mais, porque é privilexio só dalgúns saber cando se debe parar... (ou mesmo, se se debe escribir nada?)

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Temporal nos labios

Espreitaba a ausencia do señor Luís na esplanada do café, nin carpeta castaña celosa de poucas follas manuscritas, súa a tinta azul da caligrafía miudiña, nin cervexa, nin cinceiro a fumegar sosego. Certo. Estaba un tal vento de megavatios en alza, que non convidaba a habitar a intemperie nin, se por iso é, os interiores, onde o choquelear de portas e vidreiras metía un algo de desacougo incógnito. Para disimulalo, entretíñase en contemplar o esmalte anacarado das uñas, de afeite a se simular discreto, lavado, como conviña ao lastre dunha orde de busca e captura explícita en feituras, pesos, medidas e mañas. Bebeu o resto do café, recompuxo a caída da gabardina nun ademán meigo de gamba esponxosa, chiscándolle os ollos ao camareiro —insinuación ou miopía?, ficou o enigma, por hoxe—, e depositou na barra os 55 céntimos. Saíu, co corazón galopándolle, sen pronunciar palabra, nun adeus e até logo de miradas.

No regreso, sobre a ponte, o río revelábaselle mensaxeiro de marusías vindo do fundo da barra, gusto salgado na boca, como se xa estivese bicando os labios del, os de outrora.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Epistolário interrupto










Hoje não tendo mais nada para desvairar, vou falar em cartas, não das que não recebo, mas daquelas que já não (te) escrevo (ainda bem em português de vês e bês, como tu gostas, isto não rima, que fica um horror ridículo compor parelhas de versos no meio do que nem prosa é, mas palavras soltas a denunciar a falta que me faz monologar contigo). Mas não devia, que sinto vergonha, depois dos deliciosos momentos que me brindou o ALA, entre o desespero e a ironia, entre o que se dizia e se silenciava, vaidoso ou inseguro, num percurso de subidas e descidas de humanidade plena.

E como resulta engraçado ouvi-lo falar há quarenta anos, ora crendo-se génio, ora escrevedor de calhamaços!

A gente devia voltar à incerteza dos correios postais e a escrita à mão para tentar aprender a viver sem esta angústia desoladora pela imediatidade. Entretanto, vem-me à cabeça o ditado popular: "Quem tem burro e anda a pé, mais burro é". Mas que faz bem andar a pé, às vezes, com a promessa da chegada no horizonte e sabendo que está aí o burro se nos cansarmos...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A liberación da carne (3)










Xoán Lobo Vieira vladimirouse na espera dos días anoitecidos. Os veciños, era sen tempo, alarmados pola súa ausencia e os latidos dos cans, chamaron ao 112 —como se dixo topicamente na nota concisa que ao día seguinte publicou a prensa comarcal—, e así presentouse unha patrulla de municipais e outra de protección civil nun fulgor delirante de sirenas que travestiu o barrio en carrusel de feira. O ensumido habitante da casa, ao ouvir o batifondo, receando machadas a violentar a intimidade mansa do lar, entreabriu a porta. Por iso, o primeiro que asomou da comitiva foi a man osuda coa marca dunha alianza incumprida pincelada no moreno esvaído da pel do cabo Magrelas, vítima ou beneficiario dun dos divorcios que se producían cada tres minutos e medio no mundo. O axente, pola súa banda, encontrouse de caras co desconxuntamento inerte en que se convertera o finado —o pé dereito preso nun dos barrotes da varanda, machucada a cabeza contra a baldosa, un brazo que escochara ao rebater un contorsionismo extraordinario—, coa propia rixidez global de óbito certificado. E silencio, un silencio mesto de nin moscas zunindo, malia os tusidos carraspentos con que o testante involuntario porfiaba en transcender ao ámbito do aquén. En balde. Desconectados os ouveos fulxentes dos vehículos en sinal de dó e cumprindo coa normativa autonómica de emisións acústicas e luminosas, os exteriores da casa foron engordando de ruxerruxes, de ollos axexantes e ouvidos en aguzada espreita, de conxecturas que se espallaban pola contorna con garantía de veracidade cuñada, mentres o xuíz de primeira instancia sacudía do xersei uns farelos de croissant e procedía, ditante, a levantar acta e cadáver.

Xoán Lobo Vieira experimentou un levedecer no ánimo cando os empregados da aseguradora a que encomendara as súas exequias cotizando puntual e mensualmente durante anos colocaron os restos con agarimo nun cadaleito chapeado de madeira nobre e empuñaduras bañadas en ouro, que logo lle chumbaron un arreguizo de lámina de aceiro xélido contra as costas ao pronunciaren a palabra autopsia.

—El non está á vista que me matei sen querer? Que necesidade hai de me escarpear nos interiores, carafio?! —comediuse no improperio.

Nin caso, a maquinaria burócrata asoballaba desatendendo as razóns do espírito. Xa ía trancar a porta, iracundo ar en torbeliño, co desacougo propio das almas penadas, cando o invadiu un desapego incorpóreo. Ollouse na súa inmateria e, lúcido de improviso, desentendeuse da carne en vías de putrefacción. Logo, nun bolboretar obnubilado de sombras, despediuse do que xa non era desprevendo saudades.

(E quen sabe? Se cadra continúa, depende...)

domingo, 8 de novembro de 2009

Adicción

Sabía, eu sabía, que se ocultaba unha desrazón tras o meu empeño en ir até a Foz do Lima para ver unha película da que non auguraba satisfaccións profundas. Por que non fun a Cidadeabertaaomar, onde con certeza ía encontrar algo máis de xeito ao meu xeito? Ah, versión orixinal, trécolas! Estaba Ágora, que podía resultar interesante, e Yo también, ambas indobradas. Pero un irracional impulso me enxotou da somnolencia plúmbea vespertina antes da hora, que así aparco con tempo, persuadíame, e tomo un cafeciño con vagar, insistíanme a voz e os seus ecos. Mentira podre, trola burda de hiperfraxil sustentabilidade. Debera levar unha coleira ao pescozo, terapia condutista agresiva que me sacudise o espiñazo de arriba abaixo en descarga eléctrica espasmódica, dolorosísima (choque adrenérxico, Vani dixit), cada vez que me achegase ao trinque dunha librería. Velaquí a inxustificación.

Estacionado o coche, enfiei dereita ao CC, esquecida do café e do pastel na Natário, cunha ansia propia de junkie, as mans trementes e a carteira despavorida. Só un, rogábame, só un, refreándome ante o expositor que vomitaba exemplares do último futuro best-seller que nin vía, o corazón galopándome, antes de cruzar o limiar, non me deixes caer na tentación. Paseei con indolencia cínica polas mesas de novidades, papel reciclado de aquí a un mes, levantando con agarimo candidatos a compañeiros nocturnos, meus amores onánicos de pracer resolto en bágoas, que pousaba de novo, sometida á orde da razón, só un, só un.

Logo, xa fronte ao andel, obxectivo senlleiro, percorrino alfabeticamente até acadar o m minúsculo, titánico. E ollei o prezo, atacada de remorsos, calculando a cantas comidas decentes equivalía. E acariñei o papel da capa, as pastas duras, a lonxitude do título. Abrino, finalmente, e lin, mergullei no canastrel, pegañento, das súas missangas-palabras:

desejei que ela se calasse, que parasse de me chamar meu amor, como antes o fazia sem que me irritasse. disse-lhe vezes sem conta que só continuaria se fizesse silêncio das palavras, ao que se ria e espantava os olhos esbugalhados para me incomodar ainda mais. estava feliz por me reaver, como feliz ficaria uma mulher que fosse minha, se de viagem para que eu fosse voltasse.*

Aconchegueino no peito, decidida, desouvíndome. E as voces. Unha volta mais só, só para ver, só sen tocar, sen levar. E eu non. E as voces si. Como se os libros fosen acabar. E dei a volta toda en volta, esvarando a mirada polas seccións técnica, informática, arquitectura, psicoloxía, que sei o qué en que os meus ollos non reparaban, vagacento o paso do espírito impaciente, até que xa ao pé del, estrangulando os remorsos (cantas comidas etc.) multiplicados, e as mans coma gadoupas feroces arrincándoo da orfandade, sen o abrir sequera, pagando rápido na caixa, non quero saquiño, e fuxindo, fuxindo, derrotada.

"Peço desculpa", respondi, olhando para o chão. "Não volta a acontecer."**
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* o remorso de baltazar serapião. valter hugo mãe
** As três vidas. João Tordo

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O morto triste (2)











Hai moito morto inconsciente por aí andando. Pásalles como aos vivos que non se decatan de que fan anos e anos, teimando nunha adolescencia mal desenvolvida, como é o meu caso, ás veces, nin que os ósos renxan coma porlóns que descoñecen a lúbrica suavidade do aceite e/ou a tintura do pelo disimule mal o ton cincento das ideas que recobren. Abundan, como digo, os mortos que non asumen o seu desestado, mortos que nas áfricas chaman nzumbis (xa falei dalgún nesta paraxe), fantasmóns que presumen de vitalidade sendo nin fume, ar que se traspasa coma um bo malamor.

Foi iso mesmo o que lle aconteceu ao Xoán Lobo Vieira, que coñecemos xusto antes de se espatelar escaleiras abaixo. Non se sabe ben se foi porque aínda non lle espertaran os sentidos todos cando a espichou, o caso é que non deu tomado conciencia da súa novísima condición de defunto e aínda non arrefecera, cando se ergueu —un algo aloulado pola esnafrada descomunal, dígase— cunhas pingas de sangue a escorrer polo nariz abaixo, que limpou nun xesto mecánico coas puntas do furabolos e o gordo da man dereita, e un parietal do cranio esmagado. Nada grave... para quen xa morreu.

E así, coma quen que segue adiante pola rutina da vida, entrou na cociña a preparar un café, cunha tristura inexplicable a ensombrecerlle a paisaxe sobrenatural que lle regalaba a amañecida a través dunha vidreira innecesaria.

(Continuará... talvez)

Gama de grises










Onte, na segunda sesión do Poleiro houbo outra vez grandísimo cheo, case rebordante, e non é cativa a sala.

A película, ía sobre prexuízos* e fronteiras, sobre a amizade, a impotencia das persoas contra a maquinaria insensible dos estados, sobre vidas baleiras que se enchen e vidas plenas que rebentan.  A historia mestura emocións con habilidade, sen caer no drama fácil, arrincando sorrisos á consciencia da nosa perspectiva do mundo, co seu final como corresponde, que non é como a xente quixera, senón como a realidade que nos ditan impón.

Mentres a vía, pensaba en ti, nos miles e miles coma ti, e nos que teñen menos sorte ca ti.

Será certo que non podemos facer nada?

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* Preconceitos

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Do mal o menos (1)

Xoán Lobo Vieira esperta coa boca seca. Incorpórase con esforzo, busca ás apalpadelas o vaso de auga que deixa cada noite na mesa de cabeceira e bota un grolo. Pétalle un obxecto duro nas enxivas. Merda! Xa se confundiu outra vez! Bebeu do da dentadura. Aínda ben, é súa. Un inicio de arcada asómalle á gorxa ante o espectro noxento dunha dentadura allea. Respira fondo e acouga. E se non houbese outra auga que beber, matina, bebíaa? Bebía, abofé. Iso e até augas peores. Prende o piloto do espertador para ver a hora e é a hora. Os dentes sorrinlle á luz azulada cun brillo de entruido. Toma as pastillas e bebe a rego cheo do vaso bo, sen dentes. Déixase caer outra vez na cama, estrica e encolle os dedos das mans. O medio da dereita estálalle, polo que repite o xesto até que consegue un movemento uniforme e limpo do artello. Do andar de abaixo sobe o latexar lento do reloxo de parede. O ritmo cardíaco acompásase de tal xeito que por uns instantes non distingue un do outro. Lémbralle que leva unha semana sen lle dar corda, vaise parar se non lle dá corda! Érguese, calza as pantuflas e precipítase escaleiras abaixo. Precipítase.

Unha milésima de segundo antes do que tras a autopsia o forense deu en diagnosticar como morte por traumatismo cranio-encefálico, aínda murmurou, menof mal, non vou partir of dentef.

(Isto non termina aquí.)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

A voz

Pois, é assim.

Amanhã, ao que parece, se não me papar um tubarão, nem me levar um furacão, nem me partir um raio (e o trovão) em castigo por dissimular os nervos com rimas estúpidas, hei de falar na Rádio Galega. Como não sei fazer duas coisas a um tempo (nem a dois tempos sequer), para o caso, pensar e falar, é altamente provável que não se perceba nada do que diga. Se sentirem a minha língua avançar trôpega, emaranhada entre as palavras, façam-me a bondade de não o imputarem a um excesso de malte (prometo beber chá de tília desde a amanhecida, nem que fosse melhor toma-lo de sumiço).

No mínimo, alegrem-se!, vão ter uma grandiosíssima oportunidade de escutar a minha voz grave e... sensual?

O arco desarmado





 Aire de Fuga, Emilio Garrido. Cello solo, Matthieu Saglio



A noite de venres era para ser de recollida e lecturas, coma case todas, pero unha visita, tras o paseo coa Lima, á casa do Condado, onde se "hospedaban" os artistas, acabou cos meus ósos nun concerto sobresaliente, co Matthieu a transformar o rostro meniño debruzado sobre o cello como se o espírito dun ancián sabio o posuíse, a voz grave de Emilio antecedendo as caricias do arco desarmado.

De aí que fose tarde para a casa e que me deitase máis tarde aínda por prender este aparello do demo para tentar redactar a crónica, encontrando dúas cartas dúas inesperadas. Entre unha e outra frustrouse o texto pero retireime feliz a aproveitar as dúas horas e quince minutos que me quedaban de sono, non sen antes consultar o prognóstico do tempo para o día seguinte que xa era: nubes e claros.

Soou o espertador e cos ollos pegados aínda, sacudín a preguiza nunha ducha fría. Collín a moto porque sabía que ía ter sono á volta e vir no coche, aconchegadiña no asento mol, ia supor un perigo para min e para quen comigo se cruzase: non lle quero así tan mal ao mundo. Nótese que por máis que procurei no ceo, non apareceu un claro: só nubes descarregándose. E así, cheguei a Vilamormallo, mormallada de fóra, aínda ben, non calada por dentro.

Machiña eu, das dez da mañá ás oito do serán aguantei estoica e a rastro sobre unha cadeira encartable (suplicio onde os haxa para a columna e o sono) a xornada de Dobraxe e Idioma, por outro lado, ben interesante e, espero, frutífera. Non fose que cando rematou estaba a un paso de caír redonda.

Regresei sa e salva. Mollada. U-los claros?

Metinme na cama baldada e durmín até que... Era madrugada negra cando espertei créndome morta, non fose que os mortos, prego, non deberan sentir dor. Ou era iso o inferno? As miñas cervicais queixábanse polo corpo enteiro, arriba e abaixo, e botei o día entre arcadas e unha dor de cabeza lateralizada que non houbo droga que me tirase até que... Por volta da 1.30 da madrugada seguinte substituina outra, desta vez por riba dos ollos e estendéndose paulatinamente cara aos pómulos, aguilloadas feríndome os músculos todiños... dos artellos nin falo.

Porén, debe ser que non morrín, porque velaquí estou, de volta e volta, case crúa, coa música do Matthieu Saglio, na terra.