terça-feira, 7 de abril de 2009

Unha ra de fábula / Uma rã de fábula

Ouvín a alarma do espertador, lonxe, lonxe, quince segundos —poucas veces, longos; tantas, tan breves. Logo me decatei de que o soñara, pois a Lima non se movera do sitio. E por aproveitar a vixilia decidín que se me espertara un soño, ben podía inventar un soño que me adormecese. E matinando, matinando nunha historia para contar adormecín. E soñei...

Ouvi o alarme do despertador, longe, longe, quinze segundos —poucas vezes, longos; tantas, tão breves. Logo percebi que o sonhara, pois a Lima não mexera. E por aproveitar a vigília decidi que se me acordara um sonho, bem podia inventar um sonho que me adormecesse. E matutando, matutando numa história para contar adormeci. E sonhei...

Eu era meniña, como sempre fun, a destempo: a máis nova entre os máis vellos; a máis vella entre os máis novos. Estaba na escola, unha casiña de madeira —e este detalle, nótese, foi a infame serie que traduzo que se me filtrou na fábula—, cun xardín inmenso, verde sobre verde, e un estanque diminuto, cos seus nenúfares, claro. Entón chegou a ra, grande coma un ourizo cacheiro, e os seus catro rebentos ao lombo, que descargou na auga, ante o noso asombro infantil de ollos arregalados de manga xaponés:

—Vistes como lles aprende a mamá a nadar?!
—Que catro tartaruguiñas lindas tivo! E que pequerrechas son!
—Xa, xa —dixen eu despuntando na bióloga que non fun— agora son pequerrechas, pero cando medren, van ser máis grandes ca a mamá, porque son sapoconchos, coma os de Darwin.

Eu era criança, como sempre fui, a destempo: a mais nova entre os mais velhos; a mais velha entre os mais novos. Estava na escola, uma casinha de madeira —e este pormenor, repare-se, foi a infame série que traduzo que se me filtrou na fábula—, com um jardim imenso, verde sobre verde, e um tanque diminuto, com os seus nenúfares, claro. Então apareceu a rã, grande coma um ouriço cacheiro, e os seus quatro rebentos ao lombo, aos que descarregou na água, ante o nosso espanto infantil de olhos arregalados de manga japonês:

—Vocês viram como lhes ensina a mamãe a nadar?!
—Olha que quatro cágados lindos teve! E como são pequerruchos!
—Pois são —disse eu despontando na bióloga que não fui— agora são pequerruchos, mas quando crescerem, vão ser maiores do que a mamãe, porque são tartarugas, como as de Darwin.

E as tres compañeiras quedamos estáticas na ventá altísima da escola, como tres signos de exclamación, tan admiradas do prodixio, ata que sentín, desta si, real, a melodía maldita e a impaciencia contida da Lima debruzada no ombro...

E as três companheiras ficamos estáticas na janela altíssima da escola, como três signos de exclamação, tão admiradas do prodígio, até que senti, desta sim, real, a melodia maldita e a impaciência contida da Lima debruçada no ombro...

20 comentários:

condado disse...

menos mal que nos devolven á realidade a lenguetazos... e que fai un can durmindo nunha cama?

Sun Iou Miou disse...

Oi, Condado, que a cadela non dorme na cama! Só pousa a cabeza suavemente no meu ombro cando soa o espertador, non vaia eu esquecer que é hora de mexar e xanta.

Outros, pola contra, andan a soñar realidades.

Rafeiro Perfumado disse...

Isso foi um sonho estranho, em que rãs pariam tartarugas! Ou então houve festa na floresta!

Beijoca!

Sun Iou Miou disse...

E se te digo, Raf, que só muitas horas depois e já bem acordada foi que reparei no "errado" que estava isso de os filhotes da rã serem tartarugas, he!

Beijoquita

Anónimo disse...

vaia, se houbo montes que pariron ratos, tampouco é moito que as ras pairan sapoconchos.
(talvez ceando menos..., que opina?)
;-)

Sun Iou Miou disse...

Agora quéreme quitar de cear, Kaplan? En fin, algo de razón ten, non lle digo que non, que hai días que se me xunta a cea co almorzo case. Pero se non fose por estes soños, que ía contar eu?

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Esse sonho deve ter a ver com a época. Não é na Páscoa que os coelhos põem ovos?
Uma Feliz Páscoa para si.

Sun Iou Miou disse...

Só agora, Carlos, relendo o comentário do Rafeiro Perfumado, lembrei que em criança na escola cantávamos uma canção que dizia: "Heut' ist ein Fest bei den Fröschen am See", que significa "Hoje as rãs têm festa no lago..." e era uma das minhas preferidas. Coisas...

Muito boa Páscoa para si também.

Teté disse...

E não é que os sonhos são mesmo assim? Quando acordamos é que percebemos que uma rã não tem filhos cágados ou que estes jamais se transformarão naquelas tartarugas gigantes (das Maldivas ou doutras ilhas dessas).

E só depois disso é que nos apercebemos que, se estivéssemos acordados, saberíamos que as rãs não ensinam os girinos a nadar: estes nascem a nadar, só depois é que começam a vir para terra, numa fase mais desenvolvida.

Beijocas e bons feriados por aí! (`_^)

ps - é um tanque diminuto...

Sun Iou Miou disse...

Obrigada, Teté. Não te foge uma.

Achei tão natural que os filhotes daquela rã gigante fossem cágados, he! Talvez fossem adoptados. (`_^)

Anónimo disse...

Já desvendei esse sonho misterioso.
O que tu viste não era uma rã com três filhos cágados, era antes uma rã com três filhos cagados, como é normal nas crianças eheheh.

É curiosa essa questão do sonho para adormecer. Eu costumo fazer isso, quando tenho insónias e às vezes resulta... e outras não, por isso acho que se há nisso alguma coisa de cientifico, só se for a lei das probabilidades.

Beijinho e boa Páscoa.

Anónimo disse...

por isso... nisso... não me soa lá muito bem, mas agora já está eheheh

Sun Iou Miou disse...

Achas, Cão(somente), que fosse uma questão de acentos afinal? Em mim, duvido. Eu sonho até com os acentos no seu lugar. (`_^)

Eu também faço isso muito, por isso, e enquanto estou nisso, vou adormecendo, quando calha, hehehe!

Este sonho foi realmente como um conto infantil. Deve ser que estou regredindo: mas 500 anos ainda dão para muito regredir e muito sonhar.

Atão não temos aldeia nestes feriados? Olha que a Nina está a pedir...

Mikas disse...

Que bem que se está por aqui :-)

Sun Iou Miou disse...

Achas, Mikas? Ninguém diria.

Rafeiro Perfumado disse...

Hum, não estou a ver isto actualizado, ao menos podias meter a rã a parir coelhos, para condizer com a época! ;)

Bei.., ou melhor, abracinho!

Sun Iou Miou disse...

Não sonhei nada de jeito estes dias, Raf, mas tinha vontade de te fazer exercitar um bocado os dedos, que depois tens problemas com tampas de garrafas.

Essa é que era boa: a rã a parir coelhos, os coelhos a pôr ovos e os ovos a dar espinafres...

Abraçoca!

Tá-se bem! disse...

Sim, e agora fizeste me lembrar a gata que vai parir não tarda.. até já sonhei com várias situações estranhas do parto, que pressinto difícil...

oh malfadada cabeça a minha que tanto matuta... :|

Beijo Santo de Sexta ;)

Sun Iou Miou disse...

Sim, sim, Tá-se bem, já vou poupando para a semanada! Mas para a próxima, ensina a gata a utilizar preservativo, faz favor. (`_^)

Beijo e aleluia de sábado... triste.

Tá-se bem! disse...

O preservativo feminino, claro está!?
Achas que os gatos vão nessa... :| tsssss :p