terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fogo!

O doutor Segismundo estava no gabinete com a porta entreaberta, a fazer de conta como era costume que despachava assuntos de vital importância. Na verdade, ultimamente apenas havia movimento, por mor das estritas ordens da chefia de só conceder empréstimos a pessoas de reconhecida solvência, e essas onde estavam? O bairro já não era o que era. Suspirou. Tinha desde ali um ângulo perfeito para controlar os funcionários e não tirava os olhos da menina Jennifer. Estava visto que ia ter de ser ele a dar o passo.
Pegou no auscultador do telefone e marcou quatro cifras da linha interna.
—‘Tou, sim?
Foi ouvir a voz cálida e grave e desatarem-se nele os mais baixos instintos, quer-se dizer, um calorão à altura do ventre, mais ou menos.
—Ehem, sim, menina Jennifer. Faça o favor de passar pelo meu gabinete.
—Ai, xôtor, vou sim! —Não demorou meio segundo a assomar pela porta— Dá licença, xôtor?
—Passe, passe. À vontade. Queria-lhe comentar um assunto. Mas sente, tenha a bondade, menina.
—Então diga lá, xôtor.
Ela debruçou-se deliberadamente sobre a secretária, colocando-lhe ao nível dos olhos o decote libérrimo que exibia aquela manhã. O director sofreu uma breve crise de estrabismo, que cedeu ao tempo que a menina Jennifer pousava com uma lentidão pasmosa o cu, a sacudi-lo como se quisesse varrer o pó da cadeira.
—Fogo! —exclamou calado o doutor Segismundo sem que se vissem labaredas por parte nenhuma—. Eu arder hei arder, mas a ti há-te ferver, rapariga!

10 comentários:

Anónimo disse...

Excelente texto para ser lido às 10 da manhã!
Saudações inflamáveis do Marreta.

Sun Iou Miou disse...

Tenho de avisar os bombeiros voluntários ou arranjas tu para aí (deixo o substantivo em género e número à tua escolha) quem apague essa inflamação, Marreta?

Teté disse...

Segismundo??? Jennifer??? Até voltei à velha polaca, para ver se era um seguimento ou um capítulo, do qual entretanto me tivesse esquecido e a etiqueta estivesse errada... (`_´)

Mas quê? Não é conto? A história é verídica?!

Beijoca! (fico a aguardar...)

Sun Iou Miou disse...

É seguimento (mais ou menos), Teté, mas como a Velha Polaca foi embora com o Jonas para Itaparica, o conto perdeu os protagonistas principais e tive de recorrer aos secundários (e ainda não sei o título que lhe hei de pôr ao conto que não, he!)

A/O Jennifer e o doutor Segismundo saiam pela primeira vez no capítulo III.
Vamos ver que sai de aqui.

Ana disse...

Xiiiiii, eu bem que preconizei o que aí vinha, ai preconizei, preconizei...(apetecia-me só preconizar...)!

Atão e esse xôtor era alguma coisa q se visse, para deixar a menina jennifer a ferver?...

Já agora, o xôtor era mesmo doutor? Ou era um engenheiro daqueles que compram o canudo ao domingo?...

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Moral da história: um stôr sem pedalada, com mais olhos que barriga!

Sun Iou Miou disse...

Tu é que sabes o que por cá há, Van. Mas já te digo: fume de biqueira, chama-se isto cá. (`_^)

Sun Iou Miou disse...

Nem imagina, Carlos! Quem já leu a Velha Polaca deveria saber o que a menina Jennifer tem entre mãos... ou deveria dizer entre pernas?

Tá-se bem! disse...

"pousava com uma lentidão pasmosa o cu"??? ehehehe

Não me digas que isto não é um conto, pois começa a ficar interessante! ;))

o que tenho perdido por estes lados tssssss :D

Besooooo

Sun Iou Miou disse...

Pasmava era o xôtor Segismundo, Tá-se bem! E não é nada conto, não, cá só se narram factos verídicos muito verdadeiros realmente acontecidos e por acontecer.