sábado, 7 de fevereiro de 2009

O javali esperto e a liberdade

O José Luandino Veira achegou-se à Biblioteca Municipal da Nova para apresentar o segundo dos seus livros de fábulas.







Nele traslada mais um conto oral aprendido em Angola, com ilustrações que imitam os desenhos que em origem se traçam sobre a areia do musseque.






Primeiro leu a historinha em português e depois ofereceu a versão cantada... digo, em quimbundo, que era música mesmo.

Mahezu!





O Jean François LéZé, que interpretou umas melodias na marimba e deu umas explicações sobre o instrumento, ousou repartir umas baquetas pelas mãos dos miúdos. Não queiram saber.






______________
O produto da venda vai reverter no Centro de Apoio à Criança e à Família de localidade.

Galego para todos

Ante o interesse manifestado por alguns dos meus rexoubeiros em dominarem a língua galega, acho que os vou iniciar nos rudimentos da expressão oral e gestual para se safarem em situações quotidianas. Para começar, eis uma série de frases diferentes —com un vocabulário básico ao alcance de qualquer um por muito lerdo que for— , que se devem pronunciar com uma brevíssima pausa entre elas —atacando coa seguinte no momento exacto em que o interlocutor abre a boca para tentar retorquir—, e por essa ordem estrita, caso de nos depararmos com um inútil que nos acaba de causar algum prejuízo (acidentes de trânsito*, colegas de trabalho que entorpecem o desenvolvimento normal da jornada, mistura de roupa de cor e branca na lavadora a uma temperatura 90ºC, etc.). É imprescindível rematarmos a alocução, virando-nos de costas ao sujeito objecto da nossa ira verbal ao tempo que levantamos harmoniosamente o braço esquerdo em ângulo quase recto e, opcional, elevando sobre os outros o dedo médio. Repare-se, aliás, em que o desabafo proferido mediante este recurso linguístico evita consequências nefastas de índole física em ambas as partes dos dois.

(Se por ventura é o leitor o "inútil" aludido em questão, mostro ao final a única frase que vai ter oportunidade de proferir, isso sim, recomenda-se, a uma distância prudente e sem excessiva arrogância nem arrojo.)

—Ai que carallo, ho!**
—Q...
—Pero que carallo fixeches, ho?!
—E...
—Mira, non me toques máis o carallo, ho!
—S...
—Vai ao carallo, ho!
—Vai ti, ho!
________________
* Se houver feridos ou mortos, é aconselhável postergarem a conversa e ligarem para o 112.
**Lembrem que o dígrafo "ll" se lê como "lh".

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Que sono...










Teño un can que non me lambo...

E falando doutra cousa, alguén sabe dun neurocirurxián plástico para me someter a un estiramento cerebral, que teño os miolos todos encerellados?

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Criaturiñas!










Hoxe non sei por que, nun comentario do Condado na entrada anterior viñéronme á cabeza dúas anécdotas familiares, da familia del, digo. Talvez o que vou contar non se ateña rigorosamente á realidade, pero tamén sería a primeira vez que tal acontecese neste blogue, de maneira que pido licenza aos implicados (afectados?) sen agardar que ma concedan.

NetaNeta é o fillo do Condado e xa de pequeno apuntaba alto (onde vai que uso “pésmáxicos” como el dicía, para tentar albiscar por onde lle paira a cabeza, pero tampouco ten mérito medindo aquí unha metro e medio sobrado). O cativo, cando aínda así se lle podía chamar, non mostraba ningún interese pola lectura, para desolación dos pais, nin por calquera punto que a vista agudísima do pai lle sinalase no horizonte, nin que fose a “cabra” da Nova, que desafía os ventos no miradoiro do Cervo (?!), ata un día: o rapaz saíu do oculista con lentes de ver diante dos ollos, e cando se encontrou por primeira vez no mundo real coa avoa (muller enorme concentrada en corpo escaso), proclamou con toda a sorpresa da súa inxenuidade infantil unha das maiores verdades que xamais se pronunciaron e que o ha perseguir mentres eu viva:
—Que grande es, avoa!

Ao Condado gústalle pasar as tardes de inverno quecendo o corpo ao calor dunha estufa de leña e a alma cuns groliños de Porto. Do primeiro apenas resta máis rastro ca as cinzas, do segundo adoita quedar unha botella verde translúcida. Un día, o pequeno, observando como a señora que ten nome de coche recollía do chan o corpo do delito, abanou a cabeza entre avergoñado e resignado e largou a segunda frase que ha de inscribir o seu nome na posteridade:
—É o que me queda: un pai borracho.

E agora, o que me queda a min, que é velas vir.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Máquinas lerchas

Confeso que aínda que me sorprende ver xente a falar soa pola rúa. Porén, cada vez é mais frecuente. Nos coches, polas beirarrúas, por todas partes hai individuos sós que van falando de alto ou cantando. Antes iso era sinal inequívoco de que ao suxeito lle chovía no tellado, agora é sinal de que leva o móbil e/ou o mp3 enchufado nos ouvidos. Aquí entre nós, eu falo moito soa, pero soa soa, ou cos cans, que ás veces, con algún deles, é como falar para o ar, depende de se lle interesa ou non a palabra que pronuncio.

Se eu quixese, os días dos meus monólogos estaban contados, pois de agora en diante, vou poder dispór de interlocutor no cuarto grazas ao labor desenvolvido por un grupo investigadores da Universidade Politécnica de Barcelona.

Se habemos de dar creto á noticia, estes deseñaron un cuarto intelixente con 85 micrófonos! e 8 cámaras!, que son os ollos e ouvidos dun ordenador con forma de busto parlante, que reacciona coma un secretario, xirando a cabeza e respondendo con precisión e boa educación ás preguntas que lle facemos.

En principio, a idea pode parecer atractiva. Pero, atención, porque o cacharro non está deseñado para realizar tarefas físicas, co cal, a conversa pode ser frustrante.

—Non sei o que vou facer hoxe para almorzar.
—Pois xa pode ir á compra, que o frigorífico está baleiro.
—E non me podías subir á tenda nun momento?
—Esas atribucións non me corresponden por programación.
—PQP!
—Perdón?
—Nada, cousas miñas.
—Desexa unha lista exhaustiva?
—De que, ho?
—Das cousas súas.
—Onde se apaga esta merda?!
—Perdón?
—Que vaias tomar polo cu!
—Esas atribucións non me corresponden por programación.
—...!

Case prefiro seguir tendo un punto de loucura do que acabar tola.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O tempo habitando a pele







Ao Manoel Carlos


Vais dizer agora que não queres saber de aniversários, mas os parabéns levas na mesma, se for preciso à força, com beijos e abraços ao longe, tão longe, que até chegarem a ti hão de arrastar a beleza toda que encontrarem no caminho para te envolver. Assim, envio apenas umas palavras de ânimo que te permitam aguentar as saudades da praia que te espera acenando desde o outro lado do Atlântico. E olha, mesmo que for um sonho que no fim não quiseres ver estragar pela realidade, pois os sonhos só são bons enquanto estão em poder da fantasia, pensa que vais ser dono do tempo para contar histórias, vividas ou imaginadas, que já estou desejando ler com os dedos até nas cicatrizes mais subtis.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Predizer o tempo é fácil (Lição magistral by Fura-CãoSarnento)



Esse dia acabou em chuva. Não era difícil adivinhar, que os sinais estavam à vista (cliquem para ampliar), nos joelhos e no vento que me suavizou o regresso.





Um dos meus J, adoptando um gesto grave, disse um dia acenando para uma nuvem que assomando por trás da “cabra” da Nova lembrava o penteado da Marge Simpson:
—Essa nuvem traz granizo.
—Tens certeza? —perguntei.
—Tenho.
—Como sabes? —insisti curiosa.
—Sei. Que descarregue ou não é outra coisa, mas que traz, traz.

Já imaginam que ante a minha gargalhada não valeu nada o muito que embirrou o J em defender sem argumentos a teoria, e como quer que a nuvem não descarregou —quando menos cá—, nunca viremos a saber se a nuvem trazia ou não trazia granizo.

Aqui na Aldeia das Carrouchas há um método infalível para o tempo: o comboio de Portugal, nomeadamente, o Foguete de Prata. Quando se ouve como se estivesse a entrar pela porta da casa, é que vai dar chuva. E não falha! Antes não sabia porquê, mas agora, depois da rexouba que ante uma provocação minha largou um ilustre cão visitante do cabaré que não é, vou saber sempre o que me espera quando pegar na mota. Para isso, só preciso fazer duas observações:

a. comprovar se me doem os joelhos
b. virar-me de costas ao vento

(Nota: Ambas operações, entenda-se, de pé. Noutras posturas, o resultado pode ser bem satisfatório, mas não há certeza de que venha a ser correcto.)

E pois, como não queria deixar de partilhar tanta sabedoria com o blogoglobo, fiz para aí um corta e cola para vocês. Recomendo uma atenta leitura, advertindo, aí sim, que as dicas só são úteis para quem souber para onde fica o mar (o oceano Atlântico, quero imaginar, não o Mediterrâneo), já for no hemisfério norte ou no sul. A respeito do requisito do aeroporto, se não o cumprirem, deixem-se ficar onde estão e optem por andar sempre de para-chuvas ou capa de ídem, que ganham mais, acho.

Deixo-os com o mestre, que eu vou mas é me abrigar de eventuais trovoadas.

“Como é óbvio (pelo menos para mim é), só faço previsões para a minha zona. Ainda não tenho satélite, como os americanos, e as minhas previsões, baseadas na observação da atmosfera, limitam-se à zona onde resido (Lisboa).
Baseio-me na direcção do vento e sabendo para que lado está o mar e onde se situa a depressão atmosférica, não é muito difícil. Virando as costas ao vento, a depressão está à nossa esquerda (no hemisfério sul está à direita) e se isso corresponder a uma zona sobre o mar, é sinal de chuva.
Aqui nesta zona quando o vento está da barra do Tejo (SW) é sinal de chuva forte e persistente, à medida que este se vai deslocando para a costa Oeste (W e de seguida NW é o modo como as tempestades se deslocam por aqui), vamos tendo aguaceiros (por vezes fortes e com granizo) e a temperatura desce.
Se não houver outra depressão em formação na zona dos Açores, a primeira dissipa-se à medida que sobe para zonas mais frias, a pressão atmosférica sobe (é o anti-ciclone) e os ventos rodam para Norte e passam a fracos e frios.
Para completar informo que nas depressões (ciclones) os ventos rodam numa espiral no sentido inverso aos ponteiros do relógio (no hemisfério Sul é sempre ao contrário) e nas zonas de altas pressões (anticiclones) não há vento, a não ser o que circula nas orlas do anticiclone e rodam no sentido dos ponteiros do relógio.
De posse destes conhecimentos e sabendo para que lado fica o mar, qualquer um pode prever o tempo para os dias imediatos.
Quem tiver andado muitos anos de moto e tenha os joelhos lixados (ou pelas quedas, ou pelo frio que apanhou), também pode seguir a evolução das dores, que acerta sempre eheheh.
Quem morar num local de onde se aviste um aeroporto (que é o meu caso) e conheça os pontos cardeais, a tarefa de saber a direcção do vento (que quando este é fraco e não há nuvens nem sempre é fácil) fica muito facilitada. Os aviões levantam e aterram sempre contra o vento.
Muitas vezes ainda o tempo está limpo e frio e eu já sei que vai mudar, porque vejo os aviões levantarem para Sul.
Claro que sempre me interessei por fenómenos meteorológicos (como com quase tudo eheheh) e tenho lido alguma coisa acerca do assunto. O modo como se formam os furacões e a sua deslocação através do Atlântico, é deveras interessante.

Tu não te metas comigo, que eu mando-te um raio fulminante!”

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

De muxiduras e espremedelas










Cando vin a noticia lembreime do Alandelão de la Patrie, o touro charolés francés, que xa tomara nome antes de chegar ao Brasil e que se deixaba extraer o leite sen opór resistencia. Quen ía pensar que a submisión do animal á manipulación, con espremediña final incluída, se debía non ao cariño que se puña nela, que non era tal, senón en saberse o animal portador de tan solemne apelativo? Talvez o estudo se refira só ás vacas, pero nun mundo en que a igualdade se entende por cotas, é lóxico e esperable, que xunto á de sexo se inclúa a do leite.

Na Galleira as vacas sempre tiveron nome. Na verdade, o abano era pouco amplo, todo eran Marelas ou Pintas, tal coma á calor da lareira tamén todo eran Pepes e Manolos, Maruxas e Carmiñas. A xente tiña máis que facer do que marear a cabeza en escoller nomes raros, non como agora, que de tanto buscar o diferente, son todo Uxías e Braises (por non falar doutros exotismos, tipo Llonatán, Llesica ou Banesa, que parece nome de banco).

Coma os autores do traballo recoñecen -que aquí entre nós, xa lles valeu!, pero cartiños da Administración son para estas cousas- os agricultores (vulgo, labregos) sabían isto de toda a vida. O importante, penso eu, son as consecuencias prácticas que poden levar a aumentar non só a produción de leite (que despois total hai que botalo fóra, porque sobra da cota, ou porque non hai luz para enchufar as muxidoiras, ou porque para iso somos países ricos, que carallo, e hai que demostralo estragando o que lle podía quitar a fome ao veciño), senón de calquera outro produto no que se precise a man (ou calquera outra parte do corpo, neuronas -as xustas- incluídas) de obra humana. Agora que están desexando implantar as 65 horas semanais era bo que tomasen nota os empresarios para evitaren folgas xerais que levasen ao fracaso a proposta. Acaso os humanos non nos deixamos espremer mellor, no amor e no traballo, cando nos chaman polo nome do que cando nos tratan coma a un rabaño innominado?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Sempre á última (mesmo en tempos de crise)

Pensaban que a miña Lima ía ficar de fóra?



















Trinta dólares?! Aquí amañámonos cunha perruca do entroido pasado (3€) e catro lambiscos. Iso si, case me come a cámara.

O que conta é a cantidade

Alguén dubidaba? Pois, continuando coa serie de insectos contables agora constátase que as abellas (non confundir con avespas, por favor, que tamén non todo o que pica é comechón nin becho) tamén contan. O estudo realizouno un equipo de científicos alemáns da Universidade de Würzburg (Que xa ten delito o nome, como para fiarse da súa seriedade: Imaxinan que montásemos aquí a Universidade de Vilachispa?), integrados no equipo internacional BEEgroup, composto tamén por australianos, que como están nas antípodas, sempre manteñen opinións diametralmente opostas, polo que supoño que ao final o choio de que contan só ata catro debeu de ser unha media elixida por consenso.

O caso é que os simpáticos deles puxeron a unhas infelices dunhas abellas a entrar e saír por tubos de metacrilato e debérono pasar caralludo véndoas parar á saída e entrada dos tubos, movendo a cabeza segundo ían contando os obxectos que lles indicaban o camiño do alimento.

Explícome: a cousa consistía en colocar uns carteis con debuxos dun certo número de obxectos á entrada dos tubos e as abellas sabían que para conseguir alimento tiñan que escoller unha saída cun cartel que coincidise en número de obxectos co que estaba á entrada. Un exemplo, se na porta de entrada había catro peras, os himenópteros (que significa "hímenes alados") sabían que tiñan que saír por onde houbese un cartel con catro obxectos, independentemente de que fosen peras ou mazás (era para lle dar con isto no fociño a certa esposa de certo ex-presidente bigotudo). E todo isto así un día e outro e outro, a pasmar para as abellas, que debían pensar que na Comunidade de QuilómetroZero estaban mellor.

Pero, atención, cando no cartel había máis de catro obxectos, a abella xa só vía "moito", e aí sentinme identificada, porque cos euros pásame algo parecido: embarúllome cos ceros e a partir de catro xa me parece unha barbaridade todo. Agora entendo que naquel verán o meu himen saíse voando.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Recado críptico

À mais clássica maneira pimba
Hihihi!

Já não sei se to diga bem às claras
Ou disfarce entre linhas a mensagem.
Não é fácil o requinte, se reparas,
Através deste estilo de linguagem.

Sei que hoje é mais um dia no almanaque,
P’ra molhar a goela num maduro
À fé que nem me faz falta destaque
Raismepartam! Se for verde não o juro.

Arranja, pois, os copos e as garrafas,
Bebamos sem mesura à tua saúde
E vê se do convite não te safas:
Nunca foste de feitio assim tão rude.

Se depois um queijinho acrescentares,
A poder ser da Serra e um fumeiro,
Venham lá, não recuso tais manjares.
Olha, meu, que não fiquem pelo cheiro.

Concluo, que a este ritmo me disperso,
E está dito o que vim dizer em verso.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Na antesala da morte










Para Couselo, que non entende a poesía
—quérese dicir, que non entende que a poesía
cadaquén a entende como lle peta—,
que despois non me veña dicindo
que teño unha prosa...




A ver, vou relatar entón os feitos tal como aconteceron, non como quixen imaxinar que foran. E foi que véndome na obriga voluntaria de ter que acudir ao centro de saúde co fin de que o meu médico de cabeceira me estendese unhas receitas, solicitei vía internet cita no devandito centro para venres, 23 de xaneiro do ano en curso, ás 13.25 horas (HE).

E é que descubrín (era sen tempo!) que me sae máis á conta pedir cita á última hora da mañá porque hai (misterios da vida) menos atrasos do que á primeira. Non me pregunten a razón, pero teño unha teoría irrefutable. A saber:

A xente que madruga máis tende a morrer menos, co cal á primeira hora non falta ningún paciente, pero como non acaban de morrer nunca e fican aí nun vou-non-vou, xúntanselles os achaques e o médico ten que lles dedicar máis tempo. Así, desde o primeiro paciente, prodúcense desfases entra a hora da cita concedida e a hora en que o usuario do sistema da sanidade pública accede ao servizo. En consecuencia, un pode pensar que a última hora da mañá a acumulación de atrasos ía ser considerable, eh, lerchas? Pois non! Ao contrario! E por que? Pois sigan lendo.

Está demostradísimo —hai sisudos estudos científicos que o confirman— que os que dormen máis, viven menos —en todos os sentidos—, e entre estes hai, coma mínimo, dous subgrupos:

a) Uns son uns lacazáns de moito pendello, quédalles o maio pegado ao cu e as lagañas aos ollos, chegan tarde á cita, e coas consecuencias directas que sobre a saúde ten a falta de atención sanitaria, non tardan en ir para as patacas.

b) Outros déitanse tarde, non por quedar a rezar, senón porque dedican as noites ao vicio e á libertinaxe, que de sempre foi cousa malísima para a saúde, disque, e destes algúns nin sequera regresan á casa polo seu pé, antes baten a bota no acto en casas de lenocinio, abertos en canal en liortas tabernarias, ou terminan cos miolos ciscados no asfalto.

Da maneira que for, os desaparecidos deixan ocos libres na lista, co cal ao longo da mañá no só os atrasos diminúen, senón que se adiantan as citas.

Ao que ía. Velaquí que cheguei puntualmente á hora, e tras dar os bos días, un xubileta, con moita sorna e dándolle ao outro co cóbado, preguntoume:
—Es a Miou?
—Sun Iou —respondín.
Con certeza, o riso solermeiro que asomaba aos seus labios non se debía ao meu apelido Falso, senón ao Verdadeiro. Ante a miña resposta afirmativa, puxo cara de contrición e continuou dando o recado:
—Pois xa te chamaron tres veces.
—Non morreu ninguén —arrepentinme logo, porque tres, mínimo, deberan coller camiño da cova.

Total que quitei o libro da mochila e púxenme a ler. Os xubiletas marcharon coa señora que saíu da consulta e entrou un mozo. Quedei soa e tan gusto. Nestas chegou un cata, saudou, respondín mecanicamente, que a vida do finado Deoquinha estaba moi interesante, e vin polo rabicho do ollo que sentaba ao meu lado, deixando un asento libre de separación, como se non houbese máis mundo. Pensei, este é dos que quere leria, pois vai dado. E mergullei no texto.

De pronto, levantei a cabeza, mirei para o reloxo da sala —pasaran vinte minutos— e o corazón case me sae do sitio cando vin a porta da consulta aberta. En mala hora, pregunteille ao veciño:

—Oi, o médico non me chamou, ou?

Era o que estaba esperando. Alá desatou a esfolar os médicos polos atrasos. E acabou contándome a súa vida, moito menos interesante sen dúbida que a do finado Deoquinha, que na gloria estea, e moitísimo menos seguramente tamén ca a da viúva, a Benedita, que non era nada o que parecía, polo visto, e tamén estaba na gloria.

Que me pasei co título? Claro! Pero se non a ver de que ían vostedes tragar este ladrillo ata o final. E ademais, non é a vida a antesala da morte?

domingo, 25 de janeiro de 2009

Donos do tempo










Hai habitantes pasaxeiros da sala de espera
que mostran no xesto adusto
a impaciencia
de quen se cre dono do tempo
para o estragar á vontade en nada.
Esbardallan a eito á procura
dun mal común,
de solidariedade,
de compaixón incluso
ou para se gabaren,
tan afoutos como ignaros e estúpidos,
do pouco caso que fan dos médicos,
e a seguir rosman, batendo co furabolos no reloxo,
que tiñan hora para non sei cando e xa pasan non sei cantos minutos
e eles alí sen facer nada...!
como se non tivesen máis nada que facer en todo o santo día...!
Como se ser paciente, penso, fose chegar e espichala
e non o proceso lento no que se aprende
mediante o libro e o caderno que non pesan na mochila
a enmascarar os males
—os físicos e os outros—
e a pasar por alto
os transeúntes que irrompendo de fociño revirado
na sala de lectura
porfían en desbaratarnos
a paciencia.

sábado, 17 de janeiro de 2009

E ainda dizem que a cor não é importante...










O mundo, visto pelos olhos duma criança e narrado pela boca dum pai, tem assim estas belezas, que só vou transcrever, porque adorei (e confio em que nem o Manoel Carlos nem o filho se vão zangar comigo...)

Eu iniciei a minha missão de pai já tarde. Tinha 44 anos! Levei tempo a me deixar envolver por esse 'trabalho' e 'preocupação'. Mas depois que nasceu o meu primeiro e único filho, a minha vida tomou outra dimensão. Claro que redobraram as preocupações, os trabalhos e as despesas mas, mediante tanta alegria que uma criança suscita, compensa de sobremaneira! A minha mulher, mais jovem do que eu, se tinha assim tanta alegria ou felicidade, não mostrava. E era eu sempre a estar presente nos momentos mais ou menos dificeis: choro durante a noite, mudanças consecutivas das fraldas, mamadeira a hora certa, corridas para o médico caso algum mosquito resolvesse atacar e outras alergias 'assustadoras' para os primeiros 'navegantes' no assunto.

Sem contar essa convivência fabulosa que tive com o meu filho durante seu crescimento vou apenas referir os momentos em que era obrigado a inventar historinhas onde fossem envolvidos os animais que ele mais gostava. Era já a época em que ele estava descobrindo as cores e a cada passo dizia: "Pai, aquela flor é vermelha!". Olhava em redor e perguntava: "Pai, não existem flores azuis?", e lá tinha eu que recorrer a arquivos de memória para lhe indicar alguma flor azul.

Bom, numa dessas de inventar historinhas, um dia estou lhe contando a do gato e o rato. Era assim:

"Numa casa grande de uns donos ricos vivia um gato bonito, enorme e bem lá no fundo da sala, na esquininha, havia um buraco bem pequeno que dava para um compartimento onde se instalava uma familia de ratos. O gato era muito severo e estava sempre de guarda, evitando a circulação dos ratos e sua visita à cozinha para se abastecerem com algumas coisas que eventualmente encontrassem por cima dos armários ou mesas que servisse para se alimentarem. Um dia o ratinho mais velho adoeceu e não podia se mover. Aí o rato mais novo, sem prática ainda para a 'caça' arriscou ir à cozinha pensando que o gato estava dormindo. E, quando ia a passar pelo bichano, foi agarrado por este que começou a encostar o rato ao focinho e amedrontando-o: agora te peguei, vou-te comer, seu rato ladrão. O ratinho tremendo começou a pedir ao gato que não fizesse isso porque o irmão dele estava doente e precisava de comer. O gato começou a afrouxar as mãos e ratito se mandou a grande velocidade para a toca. A situação para os ratos estava feia. Sem nada para comer, era demais. O rato então vivia espreitando do buraco na esperança que o gato dormisse de novo. Mas quê? Agora o gato começou a brincar com uma gravata do dono, descia, subia a cadeira, pulando e ronronando, deixando o rato muito nervoso. Mas, de repente, numa distração do gato, a gravata se enrolou no pescoço deste que ficou preso à cadeira de tal forma que parecia que ia enforcar-se. Foi então que o rato veio em seu auxílio roendo a gravata e soltando o gato! Aqui sim. O gato também soube reconhecer. Agradeceu ao rato tê-lo salvo e prometeu-lhe nunca mais evitar que ele e seus irmãos circulassem pela casa, ficando assim amigos para sempre."

Estava contando esta história então para o meu filho, que de princípio ao fim prestou a 'melhor' das atenções em total silêncio. Perguntei-lhe o que achou da história e ele apenas me perguntou:

—Oh pai, e de que cor era a gravata?



E nem imaginam o quanto demorei (e continuo nessa) a escolher a cor do texto! Raismepartam!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Nin para escaravello dou os anchos...

Pois resulta que segundo un estudo elaborado pola Universidade de Valencia (non, hoxe non tivemos que viaxar á China, nin sequera aos Estados Unidos de América, foi aquí ao lado), os escaravellos saben contar! E sen dedos, que ten máis mérito. Unha xa ten complexos bastantes cos números —e se non que lles pregunten ás contables (si, as contables, non sei por qué, son todas mulleres) das empresas para as que traballo, que non fago unha factura a dereitas—, como para que agora me superen ata uns viles insectos, que se dedican nada menos que á fariña.

O que a noticia non especifica é se son escaravellos da fariña fariña, da do pan, ou da outra, da enfiar polo nariz para arriba. Porque neste último caso ten máis explicación: como para enganarse nas contas, que che ferran un tiro nun visto non visto. Polo menos, eu cando me confundo (en puridade, debín dicir, "eu unha vez ao mes...") só teño que aturar a sorna da contable en cuestión (fago a factura, revísoa tres veces e xa sei cando soa o teléfono quen é e a frase que vai largar: “Non hai maneira contigo, non dás unha!”), se non onde vai que estaba a criar esterco, que en escaravello fixo que non me reencarno.

O que non acabei de entender ben é que se a capacidade esa que posúen os tales (chamada “sistema aproximado do número”) serve para “avaliar de forma aproximada a cantidade de obxectos nun conxunto” (sic), como fan para contar a fariña: por granciños de po, por sacas, por metro cúbico? A ciencia é que ten moito vicio: a cada pregunta que responde, suscita mil máis.

O nosso rio










Querem conhecer a Aldeia das Carrouchas? Façam uma visita ao Condado, que há peixe na rede... e não é carapau.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Alivio?

Sei que non morrín porque non vexo a luz ao final do túnel.

Debo dicir "Uf....!"?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Chegou o inverno!!!










Última hora! Neva na Aldea das Carrouchas!
Ou polo menos no Collón de Fontiala...

Seca










Quéixase o Condado de que non escribo (será que lle sobra o tempo para estragalo en me ler?). O caso é que el e a Condadesa Con-Sorte chámanme para ir buscar os Reis: este ano puxéronse de acordo en varias casas, parece, e portáronse! He! Despois de desenvurullar o paquete, e mentres lle bebo un Alentejo e como unha torrada con manteiga e peixiños non-natos mortos, abro un libro que encontro sobre a mesa por unha páxina ao chou. Leo e roubo as palabras para transformalas en aviso a navegantes:

Si alguna vez la vida te maltrata,
acuérdate de mí,
que no puede cansarse de esperar,
aquel que no se cansa de mirarte.
Luis García Montero, En otro amor

E, xa que estamos na casa do Condado... lembran aquel día que andamos pés sobre pedras á procura do lago perdido por Castro Laboreiro?











Pois parte daquilo está aquí (e unha vez alí, se queren, claro, cliquen en Saudade I, debaixo da foto).

E agora fuxo, antes que apañe pola trasnada, pero pedíamo o corpo: non é unha beleza? A foto, digo.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Entre uva e uva










Pois, como vêem, sobrevivi, mas acho que houve fraude este ano: as badaladas, conforme à impressão geral*, foram muito mais espaçadas. O conluio foi muito provavelmente armadilhado pelo governo para dar à população a ilusão de que nem tudo pode ir mal. De facto, coloquei-me bem separada do resto dos convidados para evitar rega-los involuntariamente caso de que uma uva fosse por mau caminho, no melhor dos casos, ou que caísse (eu, não a uva!) hirta diante do televisor, engasgada e a espernear como uma galinha antes de ir para a panela, com o incomodo que ambas as situações haviam de produzir na sincronização uva/badalada dos presentes. Porém, concentrada em engolir, que nem sabia que tinha de seguir o ritmo, qual a minha surpresa ao constatar que fora a primeira em terminar, em dar os pulos de júbilo consequentes ao som.. das três derradeiras badaladas do finado ano 2008 que na glória esteja!

Depois soube também que tinha direito a três desejos (no número não houve muito consenso, mas três é cifra mágica que sempre condiz com superstições...) que por ignorância desperdicei, e boa falta me faziam, pena! Mas se calhar para o próximo ano, se por cá estamos, e prévio ensaio, até pode ser ser que consiga aperfeiçoar a técnica com desejos incluídos.

Por enquanto, os meus melhores votos para vocês, que eu se não pioro já me conformo...

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* Olhem só o comentário do r. r. no texto anterior:

"A min este ano deume tempo a comer uva, prender pitillo, comer uva, tomar groliño, comer uva, bicar pequecho, comer uva, bicar ó outro pequecho, comer uva, abrazar moza, comer uva, botar un pis, comer uva, rosmar á abuela, comer uva, mirar o tempo, comer uva, lavar o coche, comer uva, limpar a casa, comer uva, vomitar o menú, comer uva e marchar para cama. Un pouco lentas si que foron, si, eu ata collín medo de que chegase 2010 e nós alí sentados."

(Eu este ano tive tempo de comer uva, prender cigarro, comer uva, beber golinho, comer uva, beijar pequeno, comer uva, beijar o outro pequeno, comer uva, abraçar namorada, comer uva, fazer chichi, comer uva, rosnar à avó, comer uva, olhar o tempo, comer uva, lavar o carro, comer uva, limpar a casa, comer uva, vomitar o jantar, comer uva e ir para a cama. Um bocado lentas foram mesmo, sim, eu até apanhei medo que chegasse 2010 e nós ali sentados.)