domingo, 22 de maio de 2011

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

domingo, 15 de maio de 2011

Acuarela






Da outra beira

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Anónimos todos!

Pelo visto há aqui uma minha vizinha que encontra prazer em roubar poemas e traduções alheios (algumas frases quebradas minhas até) e mesmo em modifica-los à vontade, sem indicar de quem são. Imagino que faz muito bem à estupidez.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

terça-feira, 3 de maio de 2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Morto o can...?

Pois que o tal individuo foi morto agora os seus seguidores, agachan as orellas, rapan as barbas e volven dereitiños para a casa, onde acompañados de té con menta se enfrascarán en labores de calceta, gancho e macramé ou, os máis rabudos, interminables partidas de parchís.

Fluidez

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Disse

Que a gente não diga nada não quer dizer que não tenha nada a dizer.
(Talvez é só que não é o momento ou talvez é mesmo que nada tem a dizer.)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Poesia e copos de água

Isaque Ferreira e João Gesta na Fundação Cupertino de Miranda de Vila Nova de Famalicão. "Contribuição para a confusão geral".

Nem só palavras...





As mães sopram as manhãs
e elas ardem



mãe. E leva os filhos nos olhos como se os levasse pela mão
Nuno Higino (texto). Alberto Péssimo (ilustração). Letras&Coisas. 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O po sobre os libros

Pasaba o furabolos polo po que cubría os libros e admirábao non arrepiarse ao contacto, admirábao sobre todo comprobar que o dedo non deixara marca ningunha na pátina apagada que se depositara en todos os obxectos do cuarto... e nin así arrepiarse. Foi á cociña e do caixón máis próximo ao fogón quitou un farrapo branco limpo, que sacudiu para domealo, para que adquirise algunha elasticidade. Nas raiolas oblícuas do sol matinal que se filtraban a través das físgoas da persiana navegaban estrelas diminutas que escaparan doutras galaxias, creadas á medida de seres invisbles. Volveu ao cuarto, tentou retirar o po dos libros co pano. Foi en balde. O po persistía nos libros e o pano persistía na brancura. Xoán Lobo Vieira levantou a persiana, abriu a fiestra e só viu noite fóra. Mirou para as súas mans e o pano era unha labareda azul que non queimaba. Pousouno no beiril à espera de que unha picaraza se achegase a namorar con el. Despois notou terra entre a lingua e os dentes e decidiu dar un paseo.

A luz! A luz!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Flor de azar






Recendo...

A carón do soportal azul...

 








Postal

Para escribir esta postal sentei na praza
a carón do soportal azul onde os vellos da vila
toman café e fuman mirándonos a nós, os estranxeiros,
cunha expresión de aburrimento sabio,
alén da curiosidade
e tamén do desprezo.

E cando escribía as follas das palmeiras
rozábanse coma coitelos. Este vento de inverno
é cálido e despexa a morte.

As palabras parecen fluír máis facilmente.
Poden facer algo máis que describir
o vento e os vellos e a cabalgada feroz dos días.
Recuperar algo que respira moi atrás,
alí onde non hai follas
afiadas coma coitelos.

Rabat, outono de 2007
Manuel Darriba. Os indios deixaron os verdes prados. Dep. Provincial da Coruña. 2010

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sobre isso que já não sei o que era... (e talvez sobre mim)

De repente, sem mais nem mais, ao meio da tarde, absolutamente concentrada numa tradução, lembrei que esta manhã, enquanto falávamos ao telefone, eu disse uma coisa a que achámos piada. Que eu acrescentei depois que iria escrever alguma coisa sobre isso... se não esquecia de ali a cinco minutos, que era o mais provável. E tu riste. E eu ri mas menos. Esqueci-a ―seguramente ainda antes de desligar. Eu pergunto-me agora por que lembro o acessório e não o essencial? Será que um dia esqueço também quem eu sou? Serei assim tão acessória mesmo para mim que apenas lembre que sou quem irá esquecer tudo aquilo com que se importa?

Eva

Eva naceu hai unha semana. Sei eu porque a tiven no colo e a nai paríraa de madrugada, aínda non se atrevía a abrir moito os ollos na penumbra do cuarto do hospital, entre ramos de flores e xente, enfermeiras e auxiliares que ían e viñan, o instinto de mamar ben aprendido e os avós felices. Todos felices, a verdade, cos ollos postos nas súas mans de velliña, as uñas longas que habería que cortarlle, á espera do primeiro sorriso que aínda tardará (ou non, porque logo parecerá que foi onte), os pés en harmonía co resto do corpo e tamén coas orellas, detalle este importante, talvez o máis importante.

Faltava-nos a energia de estarmos vivos...










Ele disse vim para morrer, bem o sabes. Ele disse vim para morrer, porque pensaba que sabia a resposta a todas as perguntas do mundo. Ele disse não sabia uma resposta. Ele disse não sabia que morrer custa muito. É muito difícil morrer, disse ele. Sabendo tudo, ou não sabendo nada sobre o mundo e sobre a vida, morrer custa muito, disse ele. É muito difícil morrer, disse ele. Não dissemos nada. Ele disse a morte é impossível. Ele disse o amor é impossível. Ele disse tudo o que desejamos é impossível. Cada palavra do príncipe de calicatri era verdadeira, como era verdadeira a lentidão dos rostos. Faltava-nos a energia de estarmos vivos e, no entanto, a morte era impossível. Também eu já sabia isso.

José Luís Peixoto. Uma casa na escuridão. Quetzal Editores. 2002

terça-feira, 19 de abril de 2011

E nem a nós nos vemos










31. ELA

Não te vejo mas vejo
um qualquer fogo sobre mim pairar.
Se mais ninguém o vê, nem sequer tu,
que fazemos aqui, e escondidos de quê,
e que teatro é este em que nos movemos?
Nem o fogo nem nós: ninguém nos vê
e nem a nós nos vemos.

Que fazemos aqui, quando não sinto
uma força de carne
e um luar nos olhos?
Pedro Tamen. Um teatro às escuras. Publicações Dom Quixote. 2011